Como o Sales Operations reinventou o comercial de uma imobiliária com 75 anos de mercado
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Como uma decisão estratégica planejada, ancorada em Sales Operations, transformou uma operação de vendas tradicional em crescimento consistente e previsível.
No CUPOLA Summit 2026, apresentei os números de uma operação de vendas que saiu de 200 para 1.700 imóveis em carteira em nove meses. A reação imediata de boa parte da sala foi de quem está ouvindo uma história de captação bem-sucedida. Compreensível. Mas o que me chamou atenção nesse case nunca foram os números. Foi o que aconteceu antes deles.
O contexto
A empresa tem mais de 75 anos de mercado. Quando a liderança decidiu sair de uma rede de imobiliárias e operar de forma independente, não estava respondendo a uma crise. Estava executando uma decisão planejada, com data, com consciência do que ficava para trás e com clareza sobre o tamanho do desafio pela frente.
Ao sair da rede, a operação de vendas iniciou com 200 imóveis em carteira. Para uma empresa com essa trajetória, esse número poderia soar como limitação. Na prática, foi o ponto de partida de uma construção muito mais relevante do que o estoque em si.
A dor
Ao sair da rede, a empresa perdeu o acesso ao volume de imóveis disponíveis para venda que a rede oferecia e recomeçou com uma carteira de vendas de apenas 200 imóveis. Vale a clareza: estamos falando de uma operação de venda, não de locação. O tamanho de carteira necessário e a velocidade para reconstruí-la funcionam de forma muito diferente nos dois modelos. Duzentos imóveis não sustentam, por muito tempo, a estrutura de custo fixo de uma operação com sete décadas de história. Era preciso crescer a carteira rápido, para reequilibrar a conta entre custo e receita antes que o caixa apertasse.
Sete décadas de reputação, de relacionamento e de presença no mercado são ativos reais. Mas são ativos que orientam, não ativos que estruturam. E estrutura, naquele momento, era exatamente o que a operação precisava.
O caminho
Pelas vias normais, recompor esse estoque dependeria da captação feita pelos corretores, um a um, na medida da rede de contatos de cada um. Nesse ritmo, reconstruir uma carteira de 1.700 imóveis levaria anos, não meses. O caminho escolhido foi outro: estruturar, com base na metodologia de Sales Operations, uma área de captação interna dedicada exclusivamente a esse objetivo.
No mercado imobiliário, Sales Operations costuma ser interpretado como a adoção de um CRM ou a implementação de uma ferramenta de gestão. Essa leitura subestima o que a metodologia realmente altera. O que muda não é o sistema. É a lógica com que a operação é conduzida. A organização do trabalho sai das pessoas e vai para o processo. O gestor para de tomar decisões baseado no que sente e começa a tomar decisões baseado no que vê. O corretor passa a operar dentro de um fluxo que pode ser acompanhado, ajustado e replicado.
Em vez de depender do esforço individual e desigual de cada corretor, a empresa planejou a rota de captação, com regiões prioritárias, perfis de imóvel e fluxo de trabalho bem definidos, e criou um processo estruturado, com metas e indicadores, que agilizou a captação sem abrir mão de controle. Com essa base, o gestor deixou de reagir e passou a planejar. A equipe deixou de operar por impulso e passou a operar com direção. Só depois disso a operação se moveu para fora.
A diferença entre as operações que crescem e as que apenas se movimentam está aqui: uma tem método para sustentar a decisão, a outra tem disposição para tentar. Uma operação de vendas que cresce antes de organizar seus processos internos não amplia sua capacidade. Carrega seus problemas em escala maior.
O resultado
Em nove meses, a carteira foi de 200 para 1.700 imóveis. Para quem acompanhou o processo de dentro, esse número não surpreendeu. Era o que o método permitia entregar. Cada imóvel captado entrou em uma base limpa, atualizada e gerenciada ativamente. Sem duplicatas, sem imóveis que existem no sistema mas não existem na prática, sem estoque inflado que distorce a leitura da operação.
Esse controle sobre a qualidade da base foi tão relevante quanto o crescimento em volume. Ele é o que permite tomar decisões confiáveis sobre onde concentrar esforço, quais produtos priorizar e como alocar o time comercial. Sem ele, o número de 1.700 imóveis seria apenas um dado. Com ele, passou a ser uma base de trabalho real.
A lição
A maioria das operações imobiliárias falha nos movimentos estratégicos não por falta de intenção, mas por falta de estrutura para sustentar a intenção. A empresa decide crescer, mas não tem processo que suporte esse crescimento. Decide reposicionar, mas não tem dados que orientem a mudança. Decide arriscar, mas depende do feeling de quem está na reunião para calibrar o risco.
Sales Operations não elimina essa incerteza. O que ela faz é reduzir o espaço que a incerteza ocupa dentro da decisão. Quando você tem dados sobre o comportamento da sua carteira, sobre o desempenho de cada etapa do processo comercial e sobre a produtividade real do time de vendas, a decisão deixa de ser uma aposta e passa a ter fundamento.
Esse case demonstra o que acontece quando uma empresa com história decide construir também o que ainda não tinha: o método que sustenta cada decisão estratégica que vem a seguir. Os resultados não foram uma surpresa para quem acompanhou o processo. Eram o destino natural de quem planejou bem o caminho.
Antes de fechar este artigo, vale uma reflexão direta: se você saísse da sua estrutura atual amanhã e recomeçasse, o que da sua operação sobreviveria sem você? O que depende do seu julgamento e o que depende do seu processo?
E para aprofundar a abordagem sobre este tema, Cristiano se une aos especialistas Filipe Dinali e Dioner Segala na live gratuita “Masterclass Sales Ops”. O evento acontece no dia 09/07, às 11h. Se inscreva para acompanhar.
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