Instabilidade de renda resiste como dificuldade dos corretores autônomos
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Na terceira matéria da série especial sobre o que os corretores valorizam nas imobiliárias, falamos das necessidades financeiras da profissão. Os dados do Panorama do Corretor Imobiliário 2026 mostram que 36% dos corretores autônomos declaram a instabilidade de renda como principal dificuldade. Segundo a pesquisa, 18% dos profissionais apontam os custos para atuar sozinho como obstáculo na profissão. Apesar disso, a pesquisa também mostra que 68% desses profissionais pretendem permanecer autônomos nos próximos 12 meses, enquanto 23% estão em dúvida.
A segurança financeira do corretor depende de uma consciência clara sobre o modelo de trabalho, que via de regra não inclui salário fixo. O profissional também precisa ser capaz de metrificar suas atividades. Para o COO da MySide, Felipe Ricoy, a previsibilidade dos rendimentos pode ser alcançada com o cumprimento rigoroso de metas diárias, semanais e mensais. Além disso, o gestor precisa ter domínio do funil de vendas, para mapear gargalos nas taxas de resposta, agendamentos de visitas ou envio de propostas. Essa noção permite determinar a quantidade exata de ligações, mensagens ou visitas diárias necessárias para atingir as metas pessoais da imobiliária. Isso otimiza o tempo e os recursos do corretor, que concentra energia nos leads com maior probabilidade de fechar o negócio. Como consequência, o profissional consegue alcançar sua estabilidade financeira. “O foco em dados elimina falsas expectativas e permite ao corretor manter um fluxo mais regular de vendas”, Felipe declara.
E para fornecer maior estabilidade financeira aos seus corretores, as imobiliárias também recorrem a ações como ajuda de custo e diversificação de fontes de comissão. A Moni Imóveis, de Brasília (DF), custeia integralmente os investimentos em mídia, campanhas pagas, equipe de filmakers, suporte jurídico e infraestrutura de tecnologia. A corretora e sócia da imobiliária, Ariane Palaoro, acrescenta que além do comissionamento tradicional sobre vendas, o profissional que capta um imóvel para locação ganha 100% do primeiro aluguel. E na empresa também é possível receber 1% sobre indicações de financiamento imobiliário aprovados. “A combinação de comissão, cobertura total de custos operacionais e múltiplas formas de rendimento garante margens de ganho seguras para o corretor”, Ariane afirma.
O estrategista-chefe da CUPOLA, Rodrigo Werneck, explica que a previsibilidade financeira deve ser construída com clareza logo na contratação, para que o corretor saiba quanto tempo será necessário para o fechamento do primeiro negócio. O treinamento é o momento de estabelecer diretrizes e detalhar o processo de vendas com começo, meio e fim. “O corretor precisa saber quando vai colocar dinheiro no bolso”.
Premiando no nível certo
Na Moni Imóveis, o plano de carreira para os corretores é estruturado pelas categorias júnior, sênior e master, com remunerações progressivas. Ariane explica que o corretor inicia a trajetória recebendo 22% de comissão na captação e 22% na venda, somando 44% do total por transação efetuada. Conforme atinge metas de volume geral de vendas e pontos de produção, o percentual evolui para 24% e 26% em cada ponta, alcançando até 52% na soma das etapas, com previsão de teto de até 30% em cada ponta, totalizando 60% repassados ao profissional. Ao atingir o nível master, com o acúmulo de 26% de taxa e pelo menos 20 captações ativas, o parceiro ganha o suporte exclusivo de um estagiário custeado pela empresa. “Nós não deixamos nosso corretor parar de sonhar, ele sempre pode ir além”, diz Ariane.
Já a MySide paga 40% de comissão para o profissional que prospecta e traz o cliente direto do mercado, dividindo os ganhos entre a venda do contato fornecido pela imobiliária e a captação do produto. A cada dois meses, a empresa realiza uma avaliação de desempenho para reajustar o percentual repassado sobre as transações dos dois meses seguintes. A classificação divide os profissionais em três níveis. O especialista, que realiza até uma venda no bimestre, ganha 25% de comissão no ciclo posterior. O mestre, com duas vendas bimestrais, passa a receber 30%. E a lenda, que fecha três vendas, com VGV de R$ 3 milhões, alcança a margem de 35%. “O crescimento profissional não é concedido pela imobiliária, é uma oficialização dos resultados do corretor”, Felipe comenta.
Geração PIX?
A Moni Imóveis tem corretores jovens, a partir dos 18 anos, integrantes de uma geração conhecida pelo imediatismo. A princípio, a característica de querer “tudo pra ontem” pode representar uma dificuldade para a retenção desses profissionais. No entanto, Ariane fala que essa forma de agir e pensar, aliada ao comportamento nativo digital, é benéfica para o negócio.
De acordo com Ariane, os corretores mais jovens aprendem mais rápido e demonstram capacidade de implementação imediata de objetivos, por isso ela os chama de “geração PIX”. Ela relata que esses profissionais têm faturamentos mensais entre R$ 10 mil e R$ 40 mil e não são submetidos ao mesmo nível de pressão pessoal que um corretor mais experiente. “No recrutamento, pedimos que os corretores mais velhos tenham uma reserva financeira de pelo menos 6 meses. A “geração pix” mora com os pais, não tem que se preocupar com isso”, conclui.
A segunda matéria da série aborda a importância da ambiência na permanência dos corretores nas imobiliárias. Se inscreva para ter acesso às próximas reportagens da série. E aproveita também para conferir o relatório completo do Panorama do Corretor Imobiliário 2026.

O COO da MySide, Felipe Ricoy.

O estrategista-chefe da CUPOLA, Rodrigo Werneck.

A sócia da Moni Imóveis, Ariane Palaoro.
Tudo certo! Continue acompanhando os nossos conteúdos.
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