Corretores valorizam tecnologia da imobiliária, desde que ela simplifique o dia a dia
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A pesquisa Panorama do Corretor Imobiliário 2026 revela que sistemas e tecnologia lideram o ranking dos fatores mais valorizados pelos profissionais do setor. Em uma escala de 1 a 5, o quesito obteve a maior nota de importância declarada, atingindo a média de 4,53 entre os entrevistados. No entanto, a avaliação sobre a tecnologia realmente entregue pelas empresas registrou média de apenas 3,78, gerando uma lacuna entre a expectativa e a realidade do mercado. Quando forçados a escolher apenas três itens essenciais para a decisão de permanecer na empresa, 27% dos corretores selecionaram a tecnologia, posicionando o fator em terceiro lugar no ranking de escolhas definitivas. Nesta sétima e última matéria da série especial do Imobi Report sobre o que os corretores valorizam nas imobiliárias, falamos da importância de soluções tecnológicas para a atração, retenção e desempenho dos profissionais nas empresas do mercado imobiliário.
O Panorama do Corretor Imobiliário 2026 foi capitaneado pelo sócio e diretor de consultoria da CUPOLA, Dioner Segala. Diante dos dados e baseado no trabalho que realiza em campo, ele reflete que, ao apontar a importância da tecnologia, os corretores demandam por ferramentas que os façam vender mais. Ou seja, os profissionais querem leads cada vez mais qualificados, processos simplificados e leitura de dados facilitada no cotidiano. Isso permite que os profissionais aloquem sua atenção na comercialização dos imóveis e melhorem seus resultados.
Automatizar tarefas repetitivas economiza horas de prospecção e atendimento, que é onde a venda de fato acontece no dia a dia. Um sistema que aponta qual lead está mais propenso em fechar negócio, no lugar de uma escolha aleatória, evita que o corretor disperse energia igualmente entre contatos frios e quentes. Um registro do histórico de negociação permite ao corretor identificar o próprio padrão de sucesso, que tipo de abordagem funciona melhor com que tipo de cliente, e repetir isso deliberadamente em vez de depender só de intuição. “O corretor precisa de uma forma para reduzir a jornada de compra, facilitar o dia a dia e gerar mais resultado”, afirma Dioner.
Isso tudo se conecta a uma grande dor do mercado comercial, que é o infame CRM não preenchido pelas equipes. Apesar de ser uma reclamação frequente das imobiliárias, Dioner alerta que é necessário simplificar o que se pede para o corretor preencher manualmente, porque sistema complexo demais deve ser atualizado por automação, não por um profissional que precisa vender.
A inteligência artificial é fundamental nesse ponto, pois pode utilizar transcrições de ligações, mensagens de WhatsApp e dados públicos para atualizar o cadastro sem que o corretor precise logar no software. Essa tecnologia elimina tarefas repetitivas e evita a perda de informações valiosas ao longo do funil de vendas. “Dado alimentado por rotina automática não depende da disciplina e conhecimento individual de cada corretor. Com a IA no processo, ganha-se tempo e consistência”, conclui Dioner.
O fundador e CEO do Pipeimob, Roberto Nascimento, compartilha de uma visão semelhante sobre a transformação do setor. Recentemente, em artigo exclusivo para o Imobi Report, ele decretou a morte do antigo modelo de CRM. Hoje, com o avanço da inteligência artificial, não há espaço para sistemas que dependem de login, treinamento e cobrança para funcionar. Segundo o executivo, corretores devem se relacionar com pessoas, não perder tempo preenchendo dados em sistemas obtusos.
A tecnologia deve servir às pessoas, e, nesse sentido, Roberto questiona se os corretores realmente valorizam a tecnologia ou a praticidade que ela pode proporcionar no fechamento de negócios. A tecnologia é um meio de otimização operacional, e as imobiliárias não devem tratá-la como finalidade do trabalho das equipes. “No lugar de cobrar o preenchimento do CRM, a imobiliária deve pensar em como a tecnologia pode livrar o profissional de tarefas repetitivas”, pontua Roberto.
Imobiliárias que desenvolvem seus próprios sistemas
A imobiliária ADDE, por exemplo, desenvolveu um sistema próprio para auxiliar a rotina dos corretores. O Universo ADDE foi criado sob a liderança do sócio da imobiliária, Edson Júnior. Projetado ao longo de nove meses de trabalho, o sistema reuniu portal de anúncios, site institucional, controle de lançamentos, módulo de treinamento e CRM em um único centro de dados. Para a capacitação contínua do time, a plataforma também integra a Universidade ADDE, espaço de aprendizagem que acelera a curva de formação dos novos contratados.
A infraestrutura digital reduziu a barreira de expansão da equipe comercial e impulsionou o VGV da imobiliária, que alcançou R$ 86 milhões no primeiro semestre de 2026. Além disso, a criação do ecossistema zerou a taxa de R$ 289 cobrada por usuário na plataforma terceira, gerando uma economia anual projetada em R$ 150 mil. “Tentamos desenvolver a plataforma com fornecedores externos, mas me interesso por tecnologia e, como líder, decidi puxar essa responsabilidade para mim”, explica Edson.
O Universo ADDE funciona como um painel de controle que exibe o desempenho diário por meio de dashboards individuais de performance. A ferramenta apresenta o histórico de ligações, agendamentos, visitas presenciais, propostas emitidas, taxa de conversão do pré-atendimento e os motivos de perda de negociações. A plataforma também detalha o extrato financeiro do profissional, projetando o recebimento de comissões num período de 30 dias a até 12 meses.
A exibição constante dessas métricas indica que a equipe precisa realizar 11 visitas para fechar um contrato, permitindo ao corretor ajustar o volume de atendimentos necessários para bater suas metas. Esse acompanhamento em tempo real garante previsibilidade para a gestão e para os corretores. “Com tecnologia, nosso corretor sabe exatamente quantas visitas precisa fazer para fechar um negócio”, afirma Edson.
De acordo com Dioner, imobiliárias desenvolvem suas próprias plataformas tecnológicas porque as soluções genéricas de mercado ainda não resolvem o problema específico de cada operação. Uma solução de prateleira atende ao denominador comum; uma solução própria atende à particularidade, ao script de qualificação que aquela equipe usa, ao critério de distribuição de leads que aquele gestor definiu e à forma como aquele time fecha negócio.
O benefício direto para o corretor é a velocidade nas interações comerciais. O benefício indireto, e talvez o mais relevante, é que uma solução construída internamente carrega o conhecimento tácito da operação. “Aquilo que funciona naquela imobiliária, com aqueles corretores, naquele mercado. Isso é difícil de comprar pronto”, Dioner conclui.
Confira o relatório completo do Panorama do Corretor Imobiliário 2026.
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