Como incorporadoras podem reter corretores em suas houses
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O Panorama do Corretor Imobiliário 2026 revelou que os corretores de houses estão mais propensos a mudar de empresa do que corretores de imobiliárias. Nas imobiliárias, apenas 5% dos corretores declararam intenção de sair nos próximos 12 meses. Já nas houses, o número sobe para 25%. A pesquisa também mostra que 62% desses profissionais manifestaram a intenção de permanecer e 12% declararam dúvida sobre o futuro na operação. No ranking de fatores mais valorizados, os corretores de house apontaram processos transparentes, propósito e valores e ambiente harmonioso no topo de suas prioridades, todos empatados com a nota média de 4,67 em uma escala de 1 a 5. Nesta sexta matéria da série especial do Imobi Report sobre o que corretores de imóveis valorizam nas empresas, trazemos exemplos práticos de como incorporadoras podem reter profissionais em suas houses.
Incorporadoras devem oferecer treinamentos constantes, enquanto constroem ambientes onde os profissionais se sentem reconhecidos e acolhidos. Essa é a visão defendida pelo diretor de vendas da GT Building de Curitiba (PR), Zemyr Werner. A equipe de vendas conta com 20 corretores. Metade dos profissionais atua na empresa há mais de três anos; enquanto a outra metade se divide entre dois anos e sete meses de casa. “Iniciamos a house em 2021, com 8 corretores. Hoje temos 20 profissionais, número ideal para nossa operação”, Zemyr informa.
Treinamento, reconhecimento e acolhimento
A GT Building desenvolve imóveis em diferentes segmentos, com valores que vão de R$ 400 mil aos R$ 10 milhões. O comissionamento padrão da empresa é de 2%, mas o corretor pode alcançar o teto de 2,5% de comissão se tiver um bom desempenho dentro das metas estabelecidas. Já o treinamento inicia com a apresentação da empresa, desdobrando-se em etapas diárias, que abordam desde a prospecção do cliente até o fechamento do contrato. Para avaliar o aprendizado, a incorporadora aplica semanalmente um exercício no qual os profissionais simulam atendimentos, testando o domínio sobre o catálogo de produtos e os argumentos de vendas. “Essa avaliação semanal consiste num exercício em duplas, onde um corretor avalia o conhecimento do outro sobre um determinado produto”, Zemyr explica.
As reuniões na GT Building também acontecem semanalmente. Nesses encontros, gestor e corretores analisam o andamento das negociações, identificam gargalos de atendimento e abordam os pontos de melhoria de forma clara e direta. As sessões também são utilizadas para compartilhar os casos de sucesso de profissionais que bateram metas, transformando suas estratégias em exemplos de aprendizado para os demais colegas. Além disso, as reuniões servem para reforçar a cultura colaborativa e repassar a visão da incorporadora sobre o portfólio de empreendimentos. “Nossa cultura incentiva que os profissionais ajudem uns aos outros, criando um ambiente de cooperação dentro da house”, Zemyr declara.
Quando o corretor percebe aprendizado contínuo, uma liderança que investe no seu desenvolvimento e uma perspectiva clara de evolução, a tendência é construir uma relação de longo prazo com a house. De acordo com a sócia e gestora da unidade de agência de marketing da CUPOLA, Suellen Moreira, o primeiro passo é fazer com que o corretor enxergue uma carreira dentro da operação, e não apenas um lugar para vender um produto específico. Um bom plano de crescimento começa com uma trilha de desenvolvimento estruturada, objetivos claros para cada etapa da jornada, acompanhamento próximo da liderança e feedbacks frequentes. O corretor precisa entender exatamente o que se espera dele para evoluir. Também é importante ampliar seu repertório, não basta formar um profissional que vende bem lançamentos. É preciso desenvolver competências de negociação, relacionamento, gestão de carteira, venda de estoque e conhecimento de mercado. “No fim, a retenção está muito mais ligada à percepção de crescimento do que apenas à remuneração”, Suellen afirma.
Organizando a house para os corretores
Suellen orienta que a prioridade é ter uma liderança que realmente respire o mercado imobiliário. Depois disso, entram as ferramentas e processos. É importante ter um CRM adequado, um playbook comercial bem estruturado, metas claras, uma trilha de desenvolvimento para os corretores e acompanhamento constante da evolução de cada profissional. “Hoje existem inúmeras ferramentas. Mas, na minha experiência, o diferencial não está na tecnologia em si. Está em fazer muito bem o básico”, salienta.
É importante dar visibilidade ao corretor sobre os próximos planos da incorporadora, mostrando o que está por vir e como será sua atuação. Ao mesmo tempo, ele precisa ser preparado para vender estoque com a mesma qualidade com que vende lançamentos. Suellen frisa que quando existe previsibilidade, treinamento e uma operação comercial consistente, o corretor consegue construir uma visão de longo prazo dentro da empresa. “Uma house precisa ser construída pensando em recorrência”, Suellen pontua.
A quinta matéria da série fala do contraste entre a expectativa e a realidade dos corretores com a geração de leads. Continue nos acompanhando para ter acesso à última reportagem da série, que será publicada em 27 de agosto, dia do corretor de imóveis. E aproveita também para conferir o relatório completo do Panorama do Corretor Imobiliário 2026.

A sócia e gestora da unidade de agência de marketing da CUPOLA, Suellen Moreira.

O diretor de vendas da GT Building de Curitiba (PR), Zemyr Werner.
Tudo certo! Continue acompanhando os nossos conteúdos.
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