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Imóveis ociosos na mira dos governos
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Imóveis ociosos na mira dos governos

16 jun 2026
Imobi Report
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8 min
Imóveis ociosos na mira dos governos

A chamada função social da propriedade, um princípio constitucional muitas vezes relegado ao debate acadêmico, vem ganhando contornos mais práticos pelo Brasil. Governos federal, estaduais e municipais têm se movimentado para dar uma nova destinação a milhares de imóveis públicos e privados que se encontram abandonados ou subutilizados. Essa ofensiva sinaliza uma mudança na política urbana e na gestão patrimonial. (C. Capital)

Em escala nacional, o programa Imóvel da Gente, do Governo Federal, personifica essa nova diretriz. Desde 2023, 1.900 imóveis da União foram destinados para moradia popular, regularização fundiária e equipamentos públicos de saúde e educação. No Paraná, por exemplo, mais de 7,5 mil famílias em Guarapuava e Paranaguá serão contempladas com a medida, que visa transformar “prédios abandonados em moradias”, nas palavras do presidente Lula. (Bem Paraná)

Já no Distrito Federal, uma auditoria contratada pelo governo identificou mais de 7 mil imóveis subutilizados. A motivação, neste caso, é primariamente financeira: a gestão busca obter ganhos e reduzir custos para melhorar sua nota de Capacidade de Pagamento (Capag) junto ao Tesouro Nacional, atualmente em “C”, o que dificulta a obtenção de empréstimos com aval da União. O movimento vem na esteira da crise do BRB/Master. (Folha de S. Paulo)

Na maior cidade (e colégio eleitoral) do país, o debate assume um viés jurídico e político. O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou a Justiça para obrigar a Prefeitura de São Paulo a desapropriar 133 imóveis ociosos na capital. Segundo a ação, esses imóveis já passaram por todas as etapas de sanção previstas no Plano Diretor, como a cobrança progressiva do IPTU, sem que os proprietários lhes dessem uma função. Pela legislação, o próximo passo seria a desapropriação com pagamento via títulos da dívida pública, uma medida que, segundo os autores, está paralisada pela gestão municipal (CNN Brasil)

O movimento coordenado em diferentes instâncias de poder indica que a tolerância com o patrimônio ocioso está diminuindo. Seja para combater o déficit habitacional, como no caso dos programas federais e da ação em São Paulo, ou para equilibrar as contas públicas, como no Distrito Federal, a mensagem é a mesma: imóveis parados representam um custo social e econômico que o país não parece mais disposto a arcar. Para o mercado, o cenário abre frentes para novos projetos de moradia social e requalificação urbana, mas também acende um alerta sobre a intervenção na gestão da propriedade privada.

Vendas e Locação

A Pilar registrou em maio o melhor resultado mensal de sua história, atingindo R$ 550 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV). O número representa um salto significativo em relação ao recorde anterior, de R$ 400 milhões, alcançado em março deste ano, e supera em 61,7% o VGV de R$ 340 milhões de maio de 2025. Com mais de 180 vendas e um ticket médio próximo de R$ 3 milhões, a performance indica a força contínua do mercado de luxo paulistano. Os bairros com maior valor de venda foram Jardim Europa (R$ 65 milhões), Jardim Paulista (R$ 46 milhões) e Itaim Bibi (R$ 32 milhões), reforçando a concentração de liquidez em áreas nobres da capital. (Imobi Report)

Para estruturar uma operação de aluguel sem comprometer o foco em vendas, a Auxiliadora Predial Campeche, em Florianópolis (SC), optou por trazer um novo sócio para liderar a área. A estratégia responde a uma demanda de clientes que buscam a locação como uma etapa de adaptação à região antes de efetivar a compra de um imóvel. A decisão reflete um desafio comum a muitas imobiliárias, que perdem a oportunidade de reter potenciais compradores ao não oferecerem uma solução de aluguel. O modelo de sociedade, em vez da contratação de um gerente, sinaliza uma aposta na profissionalização e na criação de um ecossistema que acompanha o cliente em toda a sua jornada residencial, desde o aluguel até a aquisição. (Imobi Report)

O aluguel por temporada no Rio de Janeiro cresceu 18% em um ano, atingindo a marca de 25 mil imóveis ativos, segundo dados do Secovi-Rio de março de 2025. O avanço, impulsionado pela alta de 19% no número de turistas internacionais no primeiro trimestre de 2026, está profissionalizando o segmento. Copacabana lidera com 7.760 anúncios, mas a rentabilidade se destaca em bairros como Ipanema, onde a diária média chega a R$ 1.042. Mais do que uma fonte de renda extra, a locação de curta duração se transformou em um negócio estruturado, criando uma cadeia de serviços especializados em gestão, limpeza e manutenção para atender à demanda crescente. (Folha de S. Paulo)

🌇Apartamento de 560 m² no Leblon é vendido por R$ 46,5 milhões (VEJA)

↗️A região onde móveis de um quarto valorizam 7,35% em 12 meses (Exame)

Construção e Incorporação

O alto custo do financiamento é o principal motivo para a desistência na compra de um imóvel no Brasil. Uma pesquisa da Loft com a Offerwise revela que 22% dos consumidores que abandonaram uma negociação nos últimos seis meses o fizeram por conta dos juros elevados. Somam-se a este fator as parcelas acima do esperado (21%) e a dificuldade de aprovação de crédito (16%). Os dados, coletados entre abril e maio em seis capitais, mostram que, apesar da recente queda da Selic, o impacto nas condições de financiamento para o consumidor final ainda é limitado, representando um desafio direto para a conversão de vendas das incorporadoras. (O Globo)

O alerta do Citi. O cenário para as incorporadoras de média e alta renda tornou-se mais desafiador devido ao excesso de estoque e aos juros elevados, segundo análise do Citi. Em abril de 2026, o mercado paulistano registrava 18,5 meses de estoque para imóveis de três quartos e 26 meses para os de quatro dormitórios, patamares acima das médias históricas. O banco cortou o preço-alvo das ações da Cyrela (de R$ 35 para R$ 32) e da Eztec, apontando que a acessibilidade continua sendo um entrave estrutural, já que mesmo uma eventual queda da Selic teria um repasse lento para as taxas de crédito imobiliário, limitando a demanda a curto prazo. (Money Times)

Incorporadoras estão trocando os grandes bancos pelo mercado de capitais para financiar seus projetos residenciais. Com a retração dos recursos da caderneta de poupança (SBPE), que teve captação líquida negativa de R$ 62,98 bilhões em 2025, o setor intensificou o uso de instrumentos como fundos de investimento e CRIs. Enquanto o financiamento à produção com recursos da poupança somou R$ 37,98 bilhões em 2025, o mercado de capitais se tornou uma fonte crucial de funding para todas as etapas do desenvolvimento imobiliário, da compra do terreno à monetização do estoque, reconfigurando a estrutura de capital do setor. (Exame)

🧊Housi lança apartamentos com estação de treino e banheira de gelo (Estadão)

👷Fim da escala 6×1 pode elevar preço dos imóveis em 5,5%, diz Abrainc (CNN Brasil)

Mundo

Imóveis no Google. A Alphabet, controladora do buscador, está expandindo seu programa de listagem de imóveis nos resultados de busca para todos os 50 estados dos EUA. A iniciativa, realizada em parceria com a plataforma de dados imobiliários HouseCanary, posiciona a gigante da tecnologia como uma concorrente direta de portais consolidados como Zillow e CoStar Group. O movimento ameaça desintermediar o mercado de classificados online, alterando drasticamente a forma como os consumidores buscam imóveis e como as empresas do setor captam leads. (Valor Econômico)

Paraguai em alta. Investidores brasileiros já respondem por 50% das vendas da incorporadora paraguaia Raíces Real Estate e representam 60% dos pedidos de residência para investidores no país. O movimento é impulsionado pela busca por proteção patrimonial, diversificação e um ambiente fiscal mais favorável, com cerca de 300 empresas brasileiras já operando no Paraguai. Em áreas nobres de Assunção, o metro quadrado varia entre US$ 1.500 e US$ 2.500, e a projeção para 2026 é de 80 mil novas residências no país. O mercado paraguaio consolida-se como um novo polo de atração de capital brasileiro, criando um canal de negócios para corretores especializados em alocação internacional. (VEJA)

Estamos de olho

Uma combinação de tendências comportamentais está moldando o futuro da demanda imobiliária entre os mais jovens. A Geração Z (16 a 29 anos) já investe de forma mais diversificada que as gerações anteriores, com 36% aplicando em produtos financeiros e menor dependência da poupança. Ao mesmo tempo, a decisão de morar junto tornou-se cada vez mais financeira do que romântica. Esses fatores sugerem uma geração que pode tanto adiar a compra da casa própria em favor de outros investimentos quanto buscar imóveis menores para alugar ou comprar em dupla, otimizando o orçamento. (Valor Investe)

A estabilidade financeira tornou-se um “valor emocional” e o principal sonho para os adolescentes brasileiros, superando desejos de outras naturezas. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que oito dos dez principais anseios dos jovens estão ligados à carreira, sucesso profissional ou segurança financeira, com 30% citando “carreira” como seu maior sonho. Para especialistas, esse comportamento reflete a ansiedade com um futuro percebido como instável. Para o mercado, isso pode sinalizar uma futura geração de compradores de imóveis mais conservadores, avessos ao risco e focados na segurança do patrimônio a longo prazo. (Valor Investe)

Já entre os 60+. O número de anfitriões com mais de 60 anos no Airbnb cresceu 155% no Brasil entre 2020 e 2025, superando em muito o crescimento de 18% dessa faixa etária na população geral. Já são mais de 76 mil anfitriões ativos nessa idade, que utilizam o aluguel de curta duração como uma forma de complementar a renda da aposentadoria. O fenômeno indica não apenas a necessidade financeira, mas também a crescente familiaridade da população sênior com a tecnologia e a economia de plataforma, transformando imóveis próprios em ativos de geração de receita e consolidando um novo perfil de empreendedor no mercado de hospitalidade. (Folha de S. Paulo)

Agenda

A CUPOLA realiza em São Paulo, até esta quarta-feira (17), a Imersão  CUPOLA Lançamentos. São cerca de 100 participantes, entre imobiliárias e houses de incorporadoras de todo o Brasil, reunidos com os 10 mentores desta imersão. Também participam a Pipeimob, a Skyline, Arquiteto de Bolso, CUB, Morada.ai e CV CRM. Se você ficou de fora dessa edição, a CUPOLA tem outros caminhos para você continuar evoluindo. 

O Secovi-SP e a Universal Software realizam a Quarta Edição do Benchmark Imobiliário Brasil: Diagnóstico das Imobiliárias Brasileiras. É a maior e mais completa pesquisa sobre a operação das imobiliárias do país. Participe clicando aqui.

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