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Arbitralis cria agente de inteligência artificial capaz de negociar acordos diretamente com devedores
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Arbitralis cria agente de inteligência artificial capaz de negociar acordos diretamente com devedores

31 ago 2026
Imobi Report
Imobi Report
10 min
Arbitralis cria agente de inteligência artificial capaz de negociar acordos diretamente com devedores

Tecnologia desenvolvida pela câmara de arbitragem digital conduz conversas, apresenta propostas, acompanha negociações e pode encaminhar acordos para assinatura; em situações de maior tensão, atendimento é transferido para um profissional humano

A inteligência artificial acaba de ocupar um novo lugar: a mesa de negociação.

A Arbitralis, plataforma digital de prevenção e resolução de conflitos, desenvolveu um agente de inteligência artificial capaz de conduzir negociações, mediações e conciliações de forma autônoma, respeitando limites, condições e estratégias previamente definidos pelo interessado.

A tecnologia reúne o conhecimento operacional acumulado em milhões de casos públicos e mais de 200.000 (duzentos mil) casos processados pela Arbitralis, fundamentos jurídicos e as melhores técnicas avançadas de negociação e persuasão desenvolvidas até hoje

O resultado é um agente preparado para atuar de maneira estratégica, segura e personalizada em cada interação.

O agente pode conversar simultaneamente com as partes envolvidas ou atuar diretamente com clientes, devedores, fornecedores e outros terceiros. Ele apresenta propostas, analisa contrapropostas, responde a dúvidas, retoma conversas interrompidas e acompanha toda a evolução da negociação.

Quando o consenso é alcançado, a própria inteligência artificial pode gerar o instrumento correspondente, encaminhá-lo para assinatura eletrônica, acompanhar a formalização e o cumprimento do que foi combinado até a conclusão do processo. Tudo isso com regras de governança, rastreabilidade e critérios de atuação previamente estabelecidos.

Na prática, a tecnologia permite automatizar toda a jornada, da primeira abordagem, assinatura do acordo ou contrato e o efetivo cumprimento do mesmo, reduzindo o tempo de resposta, ampliando a capacidade de atendimento e criando novas oportunidades de solução, sem perder o controle sobre as condições da negociação.

A inovação fortalece o ecossistema da Arbitralis Legal OS, que integra diferentes etapas da prevenção e da resolução extrajudicial de conflitos. A jornada pode começar com uma notificação extrajudicial, avançar para uma negociação ou conciliação assistida por inteligência artificial e, caso não haja acordo, seguir para a arbitragem digital.

A Arbitralis transforma o espaço entre o surgimento de um conflito e a sua solução em uma jornada inteligente, automatizada e orientada a resultados.

Mais do que participar da conversa, a inteligência artificial agora pode conduzi-la até a solução.

Uma IA que negocia, e não apenas responde

Diferentemente de um chatbot convencional, criado principalmente para responder perguntas ou direcionar usuários, o agente desenvolvido pela Arbitralis tem como objetivo negociar. Conforme explica o presidente da empresa, o advogado Daniel Gontijo, “antes de iniciar uma conversa, o cliente estabelece as chamadas premissas de negociação. São essas regras que determinam o comportamento permitido à inteligência artificial”.

Ele pondera que, na prática, a empresa pode definir, por exemplo, qual é o limite de concessão que o agente possui, quais condições podem ser oferecidas, até onde uma negociação pode avançar e qual linguagem deve ser utilizada durante a conversa. “A IA, então, conduz a interação dentro dessa espécie de alçada”, acrescenta.

Um exemplo está no mercado imobiliário. Em uma situação de inadimplência, uma empresa pode precisar negociar com um inquilino a desocupação de um imóvel. Em vez de depender de uma equipe para realizar individualmente cada contato, o agente pode iniciar a conversa, apresentar uma proposta, negociar uma eventual redução ou perdão parcial da dívida e buscar um acordo para a entrega do imóvel. Caso o inquilino aceite as condições, a tecnologia pode coletar os dados necessários e encaminhar o termo ou contrato para assinatura.

O que acontece quando a conversa fica difícil?

Um dos pontos mais relevantes do projeto é que a autonomia do agente não significa ausência de controle humano. Co-fundador da Arbitralis, Henrique Freitas destaca que “a tecnologia trabalha com parâmetros que podem incluir um nível de “temperatura” da negociação. Conforme a conversa se torna mais tensa ou complexa, o sistema pode identificar que aquela interação ultrapassou o limite estabelecido pelo cliente. Nesse momento, o atendimento pode ser transferido para uma pessoa”.

A lógica é combinar escala e automação com intervenção humana nos casos em que a experiência, a sensibilidade ou a capacidade de julgamento de um profissional se tornam mais importantes. Ele complementa que “a ideia não é simplesmente colocar uma inteligência artificial para conversar com alguém. O que estamos construindo é um agente que recebe uma estratégia, uma alçada e limites muito claros para negociar. Ele sabe o que pode oferecer, até onde pode ir e também quando precisa parar e entregar a negociação para um humano”.

Esse modelo está alinhado à forma como a própria Arbitralis vem tratando a inteligência artificial. Atualmente a empresa vem buscando combinar IA e inteligência humana para aumentar agilidade e reduzir burocracia, mantendo controles e supervisão de acordo com a natureza e o risco da atividade.

A negociação não termina no “sim” (nem na assinatura)

Outro diferencial do agente da Arbitralis está no acompanhamento integral de cada caso. Em uma negociação tradicional, a aceitação de uma proposta é apenas uma das etapas até a efetiva solução do conflito. A pessoa pode interromper a comunicação, deixar de assinar o instrumento ou, mesmo depois da assinatura, não cumprir as obrigações assumidas.

O agente pode acompanhar continuamente toda essa jornada. “Se o interlocutor disser que não pode conversar naquele momento, a IA poderá retomar o contato posteriormente. Se o documento for encaminhado, mas não for assinado, o agente poderá verificar se existe alguma dúvida ou impedimento. E, depois da assinatura, continuará acompanhando os prazos e as obrigações estabelecidas no acordo”, explica Daniel.

Esse acompanhamento também alcança a comprovação do cumprimento. Caso o acordo preveja pagamentos, entrega de chaves, envio de documentos, realização de serviços ou qualquer outra providência, o agente poderá solicitar recibos, comprovantes, fotografias, termos de entrega e demais evidências previstas para demonstrar o adimplemento. Os documentos recebidos ficam vinculados ao caso, preservando o histórico das interações e a rastreabilidade de cada etapa.

Se a comprovação não for apresentada no prazo, estiver incompleta ou indicar alguma pendência, a inteligência artificial poderá enviar lembretes, solicitar esclarecimentos, retomar a comunicação e, conforme as regras definidas pelo cliente, encaminhar o caso para análise humana ou para a adoção das providências cabíveis.

“O objetivo é acompanhar a negociação desde o primeiro contato até a efetiva solução do conflito. Muitas vezes, o desafio não está apenas em conseguir um ‘sim’ ou uma assinatura, mas em transformar o que foi acordado em uma obrigação realmente cumprida. O agente acompanha os prazos, solicita as comprovações necessárias e identifica eventuais pendências, permitindo uma atuação contínua sem que a empresa precise mobilizar uma pessoa para cada interação”, acrescenta Daniel.

Assim, a automação não se encerra com a celebração do acordo. Ela acompanha sua formalização, execução e comprovação, ajudando a transformar compromissos assumidos em resultados efetivamente entregues.

Tecnologia antes da arbitragem

A nova ferramenta também ajuda a explicar uma mudança no posicionamento da Arbitralis. A empresa deixou de trabalhar a arbitragem digital como uma solução isolada e passou a apresentar uma jornada mais ampla de resolução de conflitos: notificar, negociar, conciliar e, quando necessário, arbitrar.

Em seu site, a companhia resume essa lógica como “da notificação ao desfecho”. A notificação extrajudicial pode abrir espaço para um acordo; a conciliação busca aproximar as partes; e a arbitragem aparece como alternativa quando não é possível alcançar uma solução consensual. 

A inteligência artificial entra justamente nesse caminho.

A tecnologia pode atuar antes que um conflito se transforme em uma disputa formal, tentando construir uma solução diretamente com a outra parte. Para Gontijo, essa mudança é importante porque o futuro da resolução de conflitos não necessariamente está em decidir mais processos, mas em evitar que determinados conflitos precisem chegar a uma decisão. “A nossa visão é que resolver um conflito não significa necessariamente chegar a uma sentença. Se conseguimos criar condições para que as partes negociem e cheguem a um acordo antes disso, todos ganham. A tecnologia nos permite fazer essa tentativa de maneira mais rápida, estruturada e escalável”, revela o co-fundador.

De árbitros digitais a agentes de negociação

Henrique Freitas observa que a Arbitralis vem estudando e incorporando inteligência artificial a diferentes etapas de sua operação. Em conteúdos publicados recentemente, a empresa aborda o uso da tecnologia na análise de contratos, organização de documentos, identificação de padrões e apoio às atividades jurídicas. 

A companhia também tem defendido que a IA deve ser utilizada como instrumento de apoio, sem substituir a responsabilidade humana na tomada de decisões que envolvam o mérito dos procedimentos arbitrais. Sua política de privacidade estabelece, por exemplo, que decisões sobre o mérito de procedimentos arbitrais e decisões que imponham obrigações às partes não são tomadas por sistemas de inteligência artificial. 

Essa diferença é fundamental para compreender o projeto atual. “A IA não está sendo criada para substituir o árbitro. Está sendo utilizada para atuar em uma etapa anterior: a negociação”, explica Freitas. Enquanto a decisão arbitral permanece sob responsabilidade do árbitro, o agente pode assumir parte do trabalho operacional e negocial que antecede uma eventual disputa.

Um ecossistema de resolução de conflitos

A estratégia acompanha uma transformação mais ampla da Arbitralis. A empresa se apresenta atualmente como uma Câmara de Arbitragem 100% digital e confirma já ter ultrapassado a marca de 30 mil processos resolvidos em apenas seis anos de funcionamento, além de divulgar indicadores de velocidade e economia em comparação com a Justiça comum.

Recentemente, em abril deste ano, representantes da Arbitralis também acompanharam em Brasília o IAJus 2026, encontro promovido pelo Conselho Nacional de Justiça para discutir inteligência artificial no Judiciário. Segundo a própria empresa, a participação teve como objetivo compreender as demandas do sistema de Justiça e identificar como tecnologias desenvolvidas fora do Judiciário podem contribuir para uma sociedade que judicialize menos. 

A experiência reforça uma tese que vem ganhando espaço no setor: não basta utilizar inteligência artificial para tornar o Judiciário mais rápido. Também é possível usar tecnologia para reduzir o número de conflitos que chegam até ele.

Nesse cenário, negociação automatizada, conciliação digital e arbitragem passam a fazer parte de uma mesma cadeia. “Estamos olhando para o conflito desde o momento em que ele nasce. A tecnologia pode ajudar a identificar o problema, comunicar a outra parte, negociar, acompanhar o acordo e, se não houver consenso, encaminhar o caso para o mecanismo adequado de resolução. É uma mudança de paradigma: não estamos digitalizando apenas um processo; estamos construindo uma jornada de resolução”, sintetiza o presidente da empresa.

A próxima fronteira da resolução de conflitos

Diante desse cenário inovador, a criação de agentes capazes de negociar coloca a Arbitralis em uma fronteira diferente daquela ocupada pelas ferramentas tradicionais de inteligência artificial no Direito.

Em vez de utilizar IA apenas para pesquisar jurisprudência, resumir documentos ou produzir textos, a tecnologia passa a interagir com uma das partes de um conflito e buscar ativamente uma solução.

O desafio, nesse cenário, deixa de ser exclusivamente tecnológico. Questões como limites de atuação, transparência, proteção de dados, segurança e supervisão humana tornam-se essenciais.

A própria Arbitralis já estabelece em sua política de privacidade que sistemas de IA podem ser utilizados para atividades como triagem, classificação, elaboração de mensagens, análise documental, identificação de padrões e condução de negociações, com controles técnicos e supervisão humana conforme a natureza e o risco da atividade.  “Nossa aposta é que essa combinação entre tecnologia e controle humano possa transformar a maneira como empresas lidam com conflitos de grande volume. No fim, a proposta é relativamente simples: se uma máquina consegue conversar, negociar dentro de regras e acompanhar uma tratativa, profissionais podem dedicar seu tempo aos casos em que a intervenção humana realmente faz diferença”, reforça Henrique Freitas.

E, para uma empresa que nasceu com a proposta de levar a arbitragem para o ambiente digital, o próximo passo parece natural: fazer com que a própria negociação também seja capaz de acontecer de forma digital, inteligente e escalável.

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