Arbitralis cria agente de inteligência artificial capaz de negociar acordos diretamente com devedores
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Tecnologia desenvolvida pela câmara de arbitragem digital conduz conversas, apresenta propostas, acompanha negociações e pode encaminhar acordos para assinatura; em situações de maior tensão, atendimento é transferido para um profissional humano
A inteligência artificial acaba de ocupar um novo lugar: a mesa de negociação.
A Arbitralis, plataforma digital de prevenção e resolução de conflitos, desenvolveu um agente de inteligência artificial capaz de conduzir negociações, mediações e conciliações de forma autônoma, respeitando limites, condições e estratégias previamente definidos pelo interessado.
A tecnologia reúne o conhecimento operacional acumulado em milhões de casos públicos e mais de 200.000 (duzentos mil) casos processados pela Arbitralis, fundamentos jurídicos e as melhores técnicas avançadas de negociação e persuasão desenvolvidas até hoje.
O resultado é um agente preparado para atuar de maneira estratégica, segura e personalizada em cada interação.
O agente pode conversar simultaneamente com as partes envolvidas ou atuar diretamente com clientes, devedores, fornecedores e outros terceiros. Ele apresenta propostas, analisa contrapropostas, responde a dúvidas, retoma conversas interrompidas e acompanha toda a evolução da negociação.
Quando o consenso é alcançado, a própria inteligência artificial pode gerar o instrumento correspondente, encaminhá-lo para assinatura eletrônica, acompanhar a formalização e o cumprimento do que foi combinado até a conclusão do processo. Tudo isso com regras de governança, rastreabilidade e critérios de atuação previamente estabelecidos.
Na prática, a tecnologia permite automatizar toda a jornada, da primeira abordagem, assinatura do acordo ou contrato e o efetivo cumprimento do mesmo, reduzindo o tempo de resposta, ampliando a capacidade de atendimento e criando novas oportunidades de solução, sem perder o controle sobre as condições da negociação.
A inovação fortalece o ecossistema da Arbitralis Legal OS, que integra diferentes etapas da prevenção e da resolução extrajudicial de conflitos. A jornada pode começar com uma notificação extrajudicial, avançar para uma negociação ou conciliação assistida por inteligência artificial e, caso não haja acordo, seguir para a arbitragem digital.
A Arbitralis transforma o espaço entre o surgimento de um conflito e a sua solução em uma jornada inteligente, automatizada e orientada a resultados.
Mais do que participar da conversa, a inteligência artificial agora pode conduzi-la até a solução.
Uma IA que negocia, e não apenas responde
Diferentemente de um chatbot convencional, criado principalmente para responder perguntas ou direcionar usuários, o agente desenvolvido pela Arbitralis tem como objetivo negociar. Conforme explica o presidente da empresa, o advogado Daniel Gontijo, “antes de iniciar uma conversa, o cliente estabelece as chamadas premissas de negociação. São essas regras que determinam o comportamento permitido à inteligência artificial”.
Ele pondera que, na prática, a empresa pode definir, por exemplo, qual é o limite de concessão que o agente possui, quais condições podem ser oferecidas, até onde uma negociação pode avançar e qual linguagem deve ser utilizada durante a conversa. “A IA, então, conduz a interação dentro dessa espécie de alçada”, acrescenta.
Um exemplo está no mercado imobiliário. Em uma situação de inadimplência, uma empresa pode precisar negociar com um inquilino a desocupação de um imóvel. Em vez de depender de uma equipe para realizar individualmente cada contato, o agente pode iniciar a conversa, apresentar uma proposta, negociar uma eventual redução ou perdão parcial da dívida e buscar um acordo para a entrega do imóvel. Caso o inquilino aceite as condições, a tecnologia pode coletar os dados necessários e encaminhar o termo ou contrato para assinatura.
O que acontece quando a conversa fica difícil?
Um dos pontos mais relevantes do projeto é que a autonomia do agente não significa ausência de controle humano. Co-fundador da Arbitralis, Henrique Freitas destaca que “a tecnologia trabalha com parâmetros que podem incluir um nível de “temperatura” da negociação. Conforme a conversa se torna mais tensa ou complexa, o sistema pode identificar que aquela interação ultrapassou o limite estabelecido pelo cliente. Nesse momento, o atendimento pode ser transferido para uma pessoa”.
A lógica é combinar escala e automação com intervenção humana nos casos em que a experiência, a sensibilidade ou a capacidade de julgamento de um profissional se tornam mais importantes. Ele complementa que “a ideia não é simplesmente colocar uma inteligência artificial para conversar com alguém. O que estamos construindo é um agente que recebe uma estratégia, uma alçada e limites muito claros para negociar. Ele sabe o que pode oferecer, até onde pode ir e também quando precisa parar e entregar a negociação para um humano”.
Esse modelo está alinhado à forma como a própria Arbitralis vem tratando a inteligência artificial. Atualmente a empresa vem buscando combinar IA e inteligência humana para aumentar agilidade e reduzir burocracia, mantendo controles e supervisão de acordo com a natureza e o risco da atividade.
A negociação não termina no “sim” (nem na assinatura)
Outro diferencial do agente da Arbitralis está no acompanhamento integral de cada caso. Em uma negociação tradicional, a aceitação de uma proposta é apenas uma das etapas até a efetiva solução do conflito. A pessoa pode interromper a comunicação, deixar de assinar o instrumento ou, mesmo depois da assinatura, não cumprir as obrigações assumidas.
O agente pode acompanhar continuamente toda essa jornada. “Se o interlocutor disser que não pode conversar naquele momento, a IA poderá retomar o contato posteriormente. Se o documento for encaminhado, mas não for assinado, o agente poderá verificar se existe alguma dúvida ou impedimento. E, depois da assinatura, continuará acompanhando os prazos e as obrigações estabelecidas no acordo”, explica Daniel.
Esse acompanhamento também alcança a comprovação do cumprimento. Caso o acordo preveja pagamentos, entrega de chaves, envio de documentos, realização de serviços ou qualquer outra providência, o agente poderá solicitar recibos, comprovantes, fotografias, termos de entrega e demais evidências previstas para demonstrar o adimplemento. Os documentos recebidos ficam vinculados ao caso, preservando o histórico das interações e a rastreabilidade de cada etapa.
Se a comprovação não for apresentada no prazo, estiver incompleta ou indicar alguma pendência, a inteligência artificial poderá enviar lembretes, solicitar esclarecimentos, retomar a comunicação e, conforme as regras definidas pelo cliente, encaminhar o caso para análise humana ou para a adoção das providências cabíveis.
“O objetivo é acompanhar a negociação desde o primeiro contato até a efetiva solução do conflito. Muitas vezes, o desafio não está apenas em conseguir um ‘sim’ ou uma assinatura, mas em transformar o que foi acordado em uma obrigação realmente cumprida. O agente acompanha os prazos, solicita as comprovações necessárias e identifica eventuais pendências, permitindo uma atuação contínua sem que a empresa precise mobilizar uma pessoa para cada interação”, acrescenta Daniel.
Assim, a automação não se encerra com a celebração do acordo. Ela acompanha sua formalização, execução e comprovação, ajudando a transformar compromissos assumidos em resultados efetivamente entregues.
Tecnologia antes da arbitragem
A nova ferramenta também ajuda a explicar uma mudança no posicionamento da Arbitralis. A empresa deixou de trabalhar a arbitragem digital como uma solução isolada e passou a apresentar uma jornada mais ampla de resolução de conflitos: notificar, negociar, conciliar e, quando necessário, arbitrar.
Em seu site, a companhia resume essa lógica como “da notificação ao desfecho”. A notificação extrajudicial pode abrir espaço para um acordo; a conciliação busca aproximar as partes; e a arbitragem aparece como alternativa quando não é possível alcançar uma solução consensual.
A inteligência artificial entra justamente nesse caminho.
A tecnologia pode atuar antes que um conflito se transforme em uma disputa formal, tentando construir uma solução diretamente com a outra parte. Para Gontijo, essa mudança é importante porque o futuro da resolução de conflitos não necessariamente está em decidir mais processos, mas em evitar que determinados conflitos precisem chegar a uma decisão. “A nossa visão é que resolver um conflito não significa necessariamente chegar a uma sentença. Se conseguimos criar condições para que as partes negociem e cheguem a um acordo antes disso, todos ganham. A tecnologia nos permite fazer essa tentativa de maneira mais rápida, estruturada e escalável”, revela o co-fundador.
De árbitros digitais a agentes de negociação
Henrique Freitas observa que a Arbitralis vem estudando e incorporando inteligência artificial a diferentes etapas de sua operação. Em conteúdos publicados recentemente, a empresa aborda o uso da tecnologia na análise de contratos, organização de documentos, identificação de padrões e apoio às atividades jurídicas.
A companhia também tem defendido que a IA deve ser utilizada como instrumento de apoio, sem substituir a responsabilidade humana na tomada de decisões que envolvam o mérito dos procedimentos arbitrais. Sua política de privacidade estabelece, por exemplo, que decisões sobre o mérito de procedimentos arbitrais e decisões que imponham obrigações às partes não são tomadas por sistemas de inteligência artificial.
Essa diferença é fundamental para compreender o projeto atual. “A IA não está sendo criada para substituir o árbitro. Está sendo utilizada para atuar em uma etapa anterior: a negociação”, explica Freitas. Enquanto a decisão arbitral permanece sob responsabilidade do árbitro, o agente pode assumir parte do trabalho operacional e negocial que antecede uma eventual disputa.
Um ecossistema de resolução de conflitos
A estratégia acompanha uma transformação mais ampla da Arbitralis. A empresa se apresenta atualmente como uma Câmara de Arbitragem 100% digital e confirma já ter ultrapassado a marca de 30 mil processos resolvidos em apenas seis anos de funcionamento, além de divulgar indicadores de velocidade e economia em comparação com a Justiça comum.
Recentemente, em abril deste ano, representantes da Arbitralis também acompanharam em Brasília o IAJus 2026, encontro promovido pelo Conselho Nacional de Justiça para discutir inteligência artificial no Judiciário. Segundo a própria empresa, a participação teve como objetivo compreender as demandas do sistema de Justiça e identificar como tecnologias desenvolvidas fora do Judiciário podem contribuir para uma sociedade que judicialize menos.
A experiência reforça uma tese que vem ganhando espaço no setor: não basta utilizar inteligência artificial para tornar o Judiciário mais rápido. Também é possível usar tecnologia para reduzir o número de conflitos que chegam até ele.
Nesse cenário, negociação automatizada, conciliação digital e arbitragem passam a fazer parte de uma mesma cadeia. “Estamos olhando para o conflito desde o momento em que ele nasce. A tecnologia pode ajudar a identificar o problema, comunicar a outra parte, negociar, acompanhar o acordo e, se não houver consenso, encaminhar o caso para o mecanismo adequado de resolução. É uma mudança de paradigma: não estamos digitalizando apenas um processo; estamos construindo uma jornada de resolução”, sintetiza o presidente da empresa.
A próxima fronteira da resolução de conflitos
Diante desse cenário inovador, a criação de agentes capazes de negociar coloca a Arbitralis em uma fronteira diferente daquela ocupada pelas ferramentas tradicionais de inteligência artificial no Direito.
Em vez de utilizar IA apenas para pesquisar jurisprudência, resumir documentos ou produzir textos, a tecnologia passa a interagir com uma das partes de um conflito e buscar ativamente uma solução.
O desafio, nesse cenário, deixa de ser exclusivamente tecnológico. Questões como limites de atuação, transparência, proteção de dados, segurança e supervisão humana tornam-se essenciais.
A própria Arbitralis já estabelece em sua política de privacidade que sistemas de IA podem ser utilizados para atividades como triagem, classificação, elaboração de mensagens, análise documental, identificação de padrões e condução de negociações, com controles técnicos e supervisão humana conforme a natureza e o risco da atividade. “Nossa aposta é que essa combinação entre tecnologia e controle humano possa transformar a maneira como empresas lidam com conflitos de grande volume. No fim, a proposta é relativamente simples: se uma máquina consegue conversar, negociar dentro de regras e acompanhar uma tratativa, profissionais podem dedicar seu tempo aos casos em que a intervenção humana realmente faz diferença”, reforça Henrique Freitas.
E, para uma empresa que nasceu com a proposta de levar a arbitragem para o ambiente digital, o próximo passo parece natural: fazer com que a própria negociação também seja capaz de acontecer de forma digital, inteligente e escalável.
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