De anúncios em jornal ao TikTok: três décadas de evolução no mercado imobiliário
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Quando fundei a JBA Imóveis, em 1993, Curitiba celebrava seus 300 anos. Hoje, enquanto a cidade chega aos 333 anos, olho para trás e percebo que o mercado imobiliário passou por uma transformação tão grande que, em muitos aspectos, parece outro setor.
Há três décadas, o trabalho do corretor era muito diferente. Não existiam smartphones ou redes sociais. Os imóveis eram anunciados em jornais impressos e por meio de placas. Quando estávamos fora do escritório, dependíamos de um BIP para receber recados e precisávamos encontrar um telefone – por vezes “orelhão” – para retornar as ligações dos clientes.
Naquela época, a atuação do corretor era muito mais passiva. Fazíamos os anúncios e aguardávamos que os interessados nos procurassem. Hoje, a realidade é completamente diferente. O profissional precisa estar presente nas redes sociais, produzir vídeos, criar conteúdo, entender de marketing digital e manter um relacionamento constante com seus clientes.
Mas a tecnologia não foi a única mudança.
O próprio papel do corretor evoluiu. Há três décadas, bastava conhecer o imóvel e abrir a porta para uma visita. Atualmente, é necessário compreender questões construtivas, tributárias, financeiras e até comportamentais. O cliente está mais informado, mais exigente e busca um profissional que atue como consultor, não apenas como intermediador.
A chegada da internet representou um divisor de águas. Os primeiros portais imobiliários mudaram completamente a forma de apresentar um imóvel ao mercado. Antes, os anúncios tinham poucas linhas e informações limitadas. Com o ambiente digital, surgiram as galerias de fotos, os textos mais completos e a possibilidade de destacar diferenciais que antes passavam despercebidos.
Essa mudança nos obrigou a aprender uma nova forma de vender. Já não bastava informar metragem, número de quartos e localização. Era preciso mostrar o estilo de vida que aquele imóvel poderia proporcionar.
Ao mesmo tempo, os próprios imóveis começaram a mudar.
Nos anos 1990, era comum que as famílias procurassem casas maiores, sobrados amplos e terrenos generosos. Muitas famílias tinham dois ou três filhos e valorizavam espaços internos mais amplos. Com o passar do tempo, o tamanho médio das famílias diminuiu e novas prioridades surgiram.
A localização ganhou importância. Morar próximo ao trabalho, aos serviços e às áreas centrais passou a ser uma escolha cada vez mais valorizada. Esse movimento impulsionou a verticalização de Curitiba e transformou o perfil dos empreendimentos lançados na cidade.
Na JBA, percebemos essa tendência com antecedência. Embora fôssemos reconhecidos principalmente pela atuação no segmento de sobrados, entendemos que a cidade caminhava para um processo cada vez maior de verticalização. Passamos a nos aproximar de incorporadores, arquitetos e construtores para compreender melhor esse novo cenário.
Outra transformação importante aconteceu após a pandemia.
Se antes muitas pessoas enxergavam a casa apenas como o local onde passavam parte do dia, o período de isolamento fez com que elas redescobrissem a importância do imóvel em suas vidas. A valorização das sacadas, dos espaços para home office, das áreas verdes e dos ambientes de convivência cresceu de forma significativa.
Hoje, o comprador observa aspectos que há alguns anos recebiam pouca atenção. Academias bem equipadas, paisagismo, sustentabilidade, espaços de convivência e contato com a natureza passaram a influenciar diretamente a decisão de compra.
A sustentabilidade, aliás, deixou de ser um diferencial para se tornar uma expectativa do consumidor. Soluções relacionadas à eficiência energética, ao aproveitamento de recursos naturais e à qualidade dos espaços comuns tendem a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.
Quando olho para essa trajetória, percebo que a principal característica do mercado imobiliário sempre foi a capacidade de adaptação. Mudaram as ferramentas, mudaram os imóveis e mudaram os clientes. O que não mudou foi a necessidade de compreender as pessoas e ajudá-las a encontrar o lugar onde desejam construir suas histórias.
Talvez essa seja a maior lição destes 33 anos: a tecnologia transforma processos, mas a essência do mercado imobiliário continua sendo humana.
Tudo certo! Continue acompanhando os nossos conteúdos.
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