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Xangri-Lá (RS) movimentou R$ 1,5 bilhão em imóveis sem placas de “vende-se”
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Xangri-Lá (RS) movimentou R$ 1,5 bilhão em imóveis sem placas de “vende-se”

30 abr 2026
Imobi Report
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3 min
Xangri-Lá (RS) movimentou R$ 1,5 bilhão em imóveis sem placas de “vende-se”
Xangri-Lá (RS).

Uma espécie de “acordo de cavalheiros”, o município de Xangri-Lá, no litoral gaúcho, restringe anúncios imobiliários em imóveis. Mesmo assim, a cidade mantém o mercado aquecido e se consolida como um dos destinos mais valorizados no Sul do Brasil.

Por décadas, uma das formas mais tradicionais de anunciar um imóvel no Brasil foi também a mais simples: pregar uma placa de “vende-se” ou “aluga-se” no muro. Só que, em Xangri-Lá, no litoral norte do Rio Grande do Sul, essa lógica caiu por terra há anos. Lá, a paisagem, que é praticamente livre das famosas placas imobiliárias, ainda assim registra um Valor Geral de Vendas (VGV) surpreendente, superior a R$ 1,5 bilhão.

A própria configuração horizontal de Xangri-Lá também ajuda a entender a origem e a lógica dessa “restrição” às placas imobiliárias. A cidade, que tem predominância de casas e condomínios de baixa altura e um alto volume de negociações de imóveis, poderia dar a sensação de que praticamente toda a cidade estava à venda.

“A escolha por limitar anúncios físicos nas fachadas não é apenas uma questão estética, mas uma forma de preservar a identidade da região e evitar essa impressão. Por isso o município optou por ‘proibir’ as placas imobiliárias nas fachadas”, afirma o especialista em negócios imobiliários Fabiano Braga.

Menos proibição, mais acordo de cavalheiros

A decisão de não encher as fachadas com placas de imobiliária nasceu muito mais como um “acordo de cavalheiros” entre o poder público e o mercado imobiliário do que como uma proibição dura na lei. Essa “parceria” virou quase que uma regra: todo mundo sabe que o imóvel pode estar à venda, mas a calçada não precisa “gritar” isso o tempo todo.

“Com isso, em vez de apostar no excesso de placas, o mercado começou a concentrar os anúncios em outras formas para chamar a atenção de investidores, como relacionamento e indicação. E o resultado desse ajuste de comportamento foi uma despoluição visual da cidade significativa”, diz.

Adoção de estratégias digitais como “única via”

Se a placa deixou de ser protagonista, outros canais assumiram o papel de vitrine. Além do relacionamento, imobiliárias, incorporadoras e os próprios corretores que atuam em Xangri-Lá passaram a investir mais em presença digital e ferramentas de marketing estruturadas.

Segundo Fabiano, a presença digital, por si só, não é nenhuma novidade e já faz parte da rotina de praticamente toda imobiliária no Brasil. A diferença, em Xangri-Lá, é que esse canal deixou de ser um complemento e passou a ser quase uma via de sentido único, o que exige um nível de assertividade acima da média. Para o especialista, o resultado é tem sido um modelo de venda sem nenhuma dependência da “descoberta casual” na calçada e mais ancorado na busca ativa do cliente.

Para se ter uma ideia, a imobiliária comandada por Fabiano chegou a investir, só em 2025, o equivalente a R$ 600 mil em posicionamento digital e anúncios de imóveis. Como reflexo, ele viu sua imobiliária movimentar 200 vezes esse valor em Valor Geral de Venda.

“No fim das contas, todo mundo ganhou: a cidade ficou mais bonita e o mercado ficou mais eficiente”, avalia. “A placa perdeu o protagonismo, mas o cliente não. Ele só mudou de lugar – agora está na tela do celular, pesquisando, comparando e falando direto com a imobiliária. Xangri-Lá virou um exemplo de que dá para preservar a paisagem sem frear o VGV”, conclui Fabiano Braga.

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