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Opinião

Como o Big Data transformou o setor imobiliário

Gustavo Zanotto
Escrito por Gustavo Zanotto em 26 de fevereiro de 2021
9 min de leitura
Como o Big Data transformou o setor imobiliário
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Este é o primeiro conteúdo, de um total de 4, que vai aprofundar a leitura sobre os impactos do Big Data dentro das operações do mercado imobiliário.

O universo digital está se expandindo. Em 2012, entramos na Era Zettabyte, 1 Zettabyte corresponde a 10 elevado a 21ª potência, um “caminhão de dados”. Redes sociais, dispositivos móveis, dispositivos vestíveis, estes são apenas alguns tipos de fontes que podem gerar grandes quantidades de dados. E nesta série de artigos sobre o tema, vou trazer diversos exemplos de empresas e indústrias que se apropriaram do Big Data e fizeram seu negócio mais assertivo e mais lucrativo.

Começa agora seu passeio pelo mundo do Big Data, o mundo dos números e das oportunidades baseados em conhecimento e integração de canais.

A previsão para o volume de dados gerados mundialmente mostra que, em 2025, chegaremos a 163 zettabytes. Em comparação, a quantidade total de informações digitais criadas pela humanidade em 2009 foi de metade de um zettabyte.

No entanto, o uso da tecnologia de Big Data não é sobre volume, é sobre abordagens, ferramentas, métodos de processamento de dados que ajudam a extrair de toneladas de “minério” digital um grama de “ouro”. 

As possibilidades de coletar, analisar e extrair conclusões de conjuntos de Big Data têm impacto em quase todos os setores da era digital. Enquanto o imobiliário ainda tem algumas amarras para aceitar que é no uso de tecnologia que as oportunidades reais existem – e não é no volume de atendimentos, Amazon, Costco, Ikea e Starbucks já ensinam como criar soluções personalizadas e ter a análise preditiva como chave para seu negócio.

Análise preditiva? Que loucura é essa?


Na definição da Wikipedia, a Análise Preditiva abrange uma variedade de técnicas estatísticas de mineração de dados, modelagem preditiva e aprendizado de máquina, que analisam fatos atuais e históricos para fazer previsões sobre eventos futuros ou desconhecidos.

Quais soluções de Big Data podem ser aplicadas a negócios imobiliários?

O setor imobiliário é considerado conservador e nunca foi pioneiro na introdução de novas tecnologias em seus processos. As inovações chegam ao mercado imobiliário muito tempo depois de todos os outros setores de atividade econômica já terem adotado diferentes soluções de base tecnológica. No entanto, ao longo da última década, as tecnologias de inovação remodelaram quase todas as áreas de atuação das empresas imobiliárias, seja no canteiro de obras com Realidade Virtual (RV) e Realidade Aumentada (RA) ou a mais recente tecnologia BIM, além da utilização nos recursos humanos ou na transação imobiliária com plataformas de todos os tipos. Vamos analisar a partir de agora a influência do Big Data no setor imobiliário e como tirar proveito disso.

Avaliações precisas

Qualquer imóvel, como propriedade tangível, tem seu valor no mercado imobiliário. Seu preço é um dos gatilhos mais importantes ao fazer qualquer transação em que seja necessário determinar o potencial de pagamento de um cliente interessado no imóvel, para a compra ou para a locação. Via de regra, a avaliação é realizada por especialistas especialmente treinados – avaliadores. O Big Data imobiliário fez ajustes para o cenário atual e permitiu a esses profissionais avaliadores serem mais precisos no momento de passar um valor ao imóvel, pois a avaliação agora não é mais apenas no tijolo, areia e cimento, a avaliação se faz com análises mercadológicas e histórico de transações, atreladas a comportamentos de consumo dos clientes que queremos atingir, apenas como um pequeno exemplo.

Nos EUA já existem muitos serviços que fazem uma avaliação do imóvel com o uso de um grande número de parâmetros. A referência para o mercado é o Zillow, que elevou a pesquisa imobiliária para o próximo nível. Cerca de 13 anos atrás, o Zillow combinava 180 jornais locais com anúncios de compra e venda em sua plataforma e, hoje , já tem seu próprio banco de dados, pois todos anunciam no portal e com isso ele oferece um programa chamado Zestimate, que estima o custo da moradia e seu aluguel. 

No Reino Unido, a Zoopla oferece os mesmos serviços, com um banco de dados de 27 milhões de propriedades no país. A fonte confiável não são mais os veículos tradicionais, agora, são as plataformas inteligentes.

Publicidade e marketing personalizados

Graças ao Big Data, a publicidade está cada vez mais perto do futuro mostrado no filme “Minority Report”, onde personagens de banners interativos se dirigem a cada pessoa pelo nome: “John Anderton, fuja de tudo! Esqueça seus problemas” e oferece produtos e serviços dedicados às vontades e necessidades de cada pessoa. 

Uma das tendências mais recentes da tecnologia imobiliária é o uso de software de Big Data em publicidade e marketing. Quase 90% dos compradores de imóveis faz uso de um canal digital para encontrar o imóvel que gostaria de adquirir. Um visitante do seu site sabe exatamente que tipo de imóvel está procurando, a visita se dá em dois ou mais imóveis, pode até ter características um pouco diferentes, porém a tipologia permanece a mesma. 

Quando um lead visita seu site, ele pode validar produtos através de uma busca com parâmetros bastante específicos ou simplesmente navegar pelos produtos sem um direcionamento. Depois de observar várias opções, ele abandona o processo sem deixar qualquer indicação de contato ou proposta para uma visita ao imóvel. É nessa hora que o Big Data começa a atuar, mesmo não tendo dados reais de seus leads, o que se pode observar e analisar é o comportamento da busca. Com isso conseguimos monitorar quais produtos tem mais atratividade, que tipologia desperta mais interesse, se a busca foi por compra ou aluguel, quais bairros e quais tipos de serviços foram mais requisitados e muito mais. Assim, ao coletar esses dados, todos podemos verificar se realmente temos bons produtos em carteira e, agora, clientes para esses produtos.

Esses dados coletados e bem transformados em inteligência imobiliária, oferecem a oportunidade de tornar um anúncio mais personalizado. Como exemplo, graças aos algoritmos de análise de Big Data, a plataforma Streeteasy, um serviço de aluguel de apartamentos em Nova York, conhece perfeitamente seu público e cria campanhas publicitárias engenhosas para todos que procuram um lugar para morar em Nova York, para que os nova-iorquinos se reconheçam nas ilustrações.

Como encontrar áreas ideais para incorporadores imobiliários

A localização foi por muito tempo considerada o elemento mais importante para o sucesso futuro de um lançamento imobiliário. O projeto e a construção do empreendimento sempre foram tarefas não muito fáceis para o incorporador/construtor. 

Em dias atuais, o que observo, é que mais do que vender localização precisamos vender “tempo”. Tempo para o trabalho, tempo para a rotina das crianças, tempo para o entretenimento, tempo é chave para identificar reais necessidades de clientes. 

E com a ajuda da análise de dados, para tornar um projeto lucrativo, você precisa levar em consideração muitos fatores. O Big Data ajuda a escolher o local ideal para o empreendimento, levando em consideração sua finalidade – onde construir um residencial, onde construir um shopping, um empreendimento de salas comerciais, tudo com uma única finalidade, facilitar as pessoas e as empresas o melhor local para se estabelecerem viabilizando o deslocamento no menor tempo para cumprir todas as atividades que desejam. Já não é mais morar ou trabalhar, é resolver a vida das pessoas e das empresas.

Um exemplo bem sucedido de empresa tech que consolidou o uso do Big Data com muita assertividade foi a Deepblocks , que recentemente se mudou do Vale do Silício para Miami. A Deepblocks usa a análise de dados em projetos de desenvolvimento urbanístico aplicando inteligência artificial. O processo de análise preditiva imobiliária leva 5 minutos, enquanto anteriormente demorava de 3 a 6 meses de trabalho cuidadoso de muitos especialistas do mercado imobiliário.

A mudança foi acelerada até para quem era resistente à mudança, aos processos, à tecnologia.

Isso é apenas o começo

A implementação de Big Data na área imobiliária provavelmente será lenta. No entanto, muitos negócios imobiliários e empresas de desenvolvimento de software imobiliário já estão colhendo os benefícios dessa tecnologia para melhorar a eficiência dos corretores de imóveis, simplificar o processo de busca de um imóvel para os clientes e eliminar custos desnecessários no desenvolvimento de empreendimentos imobiliários.

Se você já está impressionado com o tamanho das informações que estão sendo processadas, aqui está outro fato interessante: até o presente momento, apenas 0,5% de todos os dados disponíveis são processados. Portanto, o mais interessante ainda está por vir.

Na segunda parte desta série sobre Big Data, vou falar sobre exemplos reais de empresas e como estas ganharam escala, produtividade e tempo.

Gustavo Zanotto

CEO da Beemob e co-founder do Café Imobiliário. No mercado imobiliário há 20 anos, atua com inovação, marketing e planejamento. É reconhecido hoje como um dos principais nomes do marketing e da inovação para o mercado imobiliário e porta voz do ecossistema de Proptechs. Convidado para diversos eventos como palestrante e desenvolvimento de projetos imobiliários no Brasil, EUA, Portugal, Uruguai e Chile.

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Cultura de dados para o mercado imobiliário | Imobi Report
25 de março de 2021 16:41

[…] Zanotto, “os dados estão disponíveis a todos, a qualquer empresa ou pessoa, basta saber que tipo de […]

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O que o setor imobiliário precisa aprender com os gigantes do varejo e o uso do big data? | Imobi Report
29 de março de 2021 16:47

[…] a leitura sobre os impactos do Big Data dentro das operações do mercado imobiliário.No primeiro artigo desta série, comentei sobre empresas globais e o pensamento big data. Aqui, vou falar mais sobre o varejo […]

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