De donas de casa a dona da casa

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O processo de escolher um lar para chamar de seu exige grandes responsabilidades. E as mulheres assumem esse compromisso há anos. Historicamente, elas têm um poder muito grande de decisão na hora de comprar um imóvel. Sempre atentas a detalhes que normalmente passam despercebidos pelos homens, como iluminação, tamanho dos quartos, cozinha ampla, uma boa lavanderia, localização e diversos outros pontos que facilitam o dia a dia da família, tinha-se como estereótipo que elas batiam o martelo, mas quem abria a carteira era o marido. Com a inserção das mulheres no mercado de trabalho e mais independência financeira, esse ainda é o cenário atual?
Segundo uma pesquisa realizada pela Cyrela no Rio de Janeiro, 63% dos compradores de imóveis são mulheres – o que mostra que, além de escolher as melhores oportunidades, cada vez mais são elas que têm assinado o cheque. É o caso de Fernanda Deslandes, jornalista. “Quando estávamos noivos, guardamos dinheiro para comprar um apartamento. Meu marido na época resolveu comprar um carro com esse dinheiro. Fiquei muito brava, e fiz sozinha tudo sozinha. Escolhi o apartamento, financiei e depois convidei ele pra vir morar comigo”, conta.
Muitos dos casais ainda tendem a tentar equilibrar a decisão. “Tínhamos um terreno e a ideia era construir. No meio do caminho vimos que seria muito trabalhoso e meu marido disse que se eu conseguisse vender o terreno, compraríamos uma casa, mas não quis se envolver nessa negociação. Consegui vender o terreno à vista e na hora de escolher a casa, ele só fez algumas exigências. Chegamos a um acordo e, no fim, deu super certo”, relata a dentista Guerdlei Grodzki.

Donas de tudo
O fato é que com a independência financeira e com o percentual de mulheres chefes de famílias, esse quadro está se alterando de várias maneiras. Segundo um estudo divulgado pela Escola Nacional de Seguros, o número de mulheres que chefiam seus lares teve um avanço de 105%, no período entre 2001 e 2015. E, embora esse crescimento significativo se deva muito às mães solo, a pesquisa mostra que o número de lares em que há um cônjuge e ainda assim são comandados por mulheres também teve um aumento significativo. Entre casais com filhos, em 2001, cerca de 1 milhão de famílias eram chefiadas por elas. Em 2015, esse número chegou a 6,8 milhões. Casais sem filhos também registraram uma alta, ainda mais significativa. De 339 mil para 3,1 milhões, um aumento impressionante de mais de 800%.
O mercado imobiliário precisa estar pronto para essa mudança. “Aqui em Alagoas a decisão da escolha do imóvel, seja para comprar ou alugar, é composta na sua maioria pelo público feminino. Quando é uma corretora, gera uma empatia na hora de mostrar um imóvel”, explica Solange Syllos, proprietária da Zampieri Imóveis.
Essa mudança de percepção precisa estar presente em todas as etapas, afinal, é um mercado com profissionais predominantemente homens. “Quando fui olhar o apartamento, me chamou a atenção que o corretor já chegou falando que eu ia amar a cozinha. E eu na verdade queria mais saber dos outros cômodos, não estava muito preocupada com a cozinha. Quando falei que eu não estava preocupada com isso ele até ficou sem graça”, diz a pedagoga Franciane Rios.
Com todas essas transformações, tanto do lado de quem vende como do lado de quem compra imóveis, é inegável que o mercado imobiliário precisa se atualizar em muitos sentidos. Assim como estar preparado para mais mudanças que possam surgir, afinal, “a luta diária e constante é para que todas as mulheres possam viver em um ambiente empático, diverso com inclusão, respeito e de equidade de direitos”, finaliza Elisa Tawill, idealizadora do projeto Mulheres no Imobiliário.
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