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[115] Câmara suspende despejos até o fim do ano: a reação do mercado imobiliário

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Escrito por Imobi Report em 25 de maio de 2021
12 min de leitura
[115] Câmara suspende despejos até o fim do ano: a reação do mercado imobiliário
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A Câmara dos Deputados aprovou na última semana um projeto que toca numa ferida do ecossistema imobiliário: a intervenção de Poderes da República sobre o mercado. Por 263 votos a 181, os deputados aprovaram proposta que suspende até o final de 2021 os despejos de inquilinos que comprovem incapacidade de pagar o aluguel por causa da piora de sua situação financeira durante a pandemia de Covid-19. O texto ainda dispensa o inquilino de multa caso ele rescinda o contrato.

A medida se aplica imóveis residenciais com aluguéis até R$ 600 e não residenciais com aluguel até R$ 1.200, e vale a partir da entrada em vigor do estado de calamidade pública, em 20 de março de 2020, e até um ano após seu término.

Uma das autoras da proposta, Natália Bonavides (PT-RN), afirma que se trata de uma medida temporária e que essa é uma pauta humanitária. Outro subscritor do projeto, André Janones (Avante-MG), argumenta que o texto “apenas ajuda as pessoas a cumprirem as medidas de isolamento, garantindo o direito básico de preservação da vida e dando segurança jurídica nesse período de pandemia”.

Apesar do caráter temporário, o Imobi Report identificou manifestações de contrariedade em redes sociais de entidades ligadas à habitação e às imobiliárias, alegando interferência indevida sobre o mercado. Procurado por nossa equipe de jornalismo, o Secovi-SP respondeu, através de nota assinada pelo vice-presidente de Gestão Patrimonial e Locação, Adriano Sartori, que o texto do PL 827/2020 “promove insegurança jurídica e desestabiliza segmentos econômicos relevantes”.

Para o Secovi-SP, essa intervenção estatal nas relações contratuais impede a autocomposição e as negociações como medidas legítimas das partes envolvidas, além de prejudicar o sistema de crédito imobiliário e as modalidades de garantias reais. “Não se deve ainda desconsiderar que o locatário, não raro, depende do aluguel para prover sua própria subsistência. Também deve ser combatida a adoção medidas que estimulem o inadimplemento, incentivem ocupações clandestinas e eternizem a judicialização”, finaliza o Secovi-SP.

E já que o tema é o aluguel e suas implicações sociais, a edição número 11 do Imobi Aluguel, que será liberada amanhã aos assinantes, relata como as imobiliárias estão ampliando seu foco para atrair clientes negativados. O relatório de inteligência do Imobi Report conta como diferenciar bons pagadores de aluguel, o tamanho deste mercado e quais empresas estão se especializando na filtragem de dados para minimizar os riscos de locar para esse público. Clique aqui para resgatar o seu presente e experimentar por 30 dias, de forma gratuita, o primeiro boletim exclusivo sobre locação do mercado imobiliário brasileiro.

Já temos data para o próximo ImobiExperts: nos dias 14 e 15 de julho, preparamos um evento sem precedentes no Brasil sobre a operação de aluguel. Pré-inscrições para o ingresso premium, apenas 100 vagas com 60% de desconto aqui.

Imobiliárias

Falando em locação, o governo federal anunciou que, no segundo semestre deste ano, deverá lançar uma nova política de aluguel social, que faz parte do programa Casa Verde e Amarela. Em uma das modalidades, o governo construirá empreendimentos destinados ao aluguel social, enquanto em outras haverá um voucher para a pessoa usar na moradia. O secretário nacional de Habitação, Alfredo Eduardo dos Santos, afirma que a construção de novas moradias é a principal política para reduzir o déficit habitacional do governo federal e o aluguel social entra como medida complementar.

A Housi passará a oferecer estadias em hotéis e resorts no seu marketplace. Para o usuário, é a vantagem de encontrar mais um modelo de estadia. Já para os players de hotelaria, é uma porta de entrada para a locação de média estadia, oportunidade relevante em tempos de turismo estagnado.

Já ouviu falar em “test drive” em um imóvel? Na modalidade, clientes vivem por um certo período de tempo em um imóvel alugado para decidir se vão querer comprá-lo. E ainda podem descontar os aluguéis no valor do imóvel. Conversamos com a fundadora da Camaro TDH, Vinéia Köche, que explica as particularidades da operação, que pode ser uma solução para imóveis no estoque.

Dados da AoCubo apontam que a busca por apartamentos maiores, entre dois e três dormitórios, cresceu 120% em São Paulo. Já a venda de estúdios e apartamentos de um quarto cresceu 60% na cidade, entre os meses de janeiro a abril, comparado com o mesmo período de 2020.

Inclusive, o desconto nas vendas de imóveis atingiu o menor patamar dos últimos 7 anos no primeiro trimestre deste ano, segundo pesquisa do FipeZAP. O percentual de transações com desconto sobre o valor anunciado ficou em 64%. E a média dos descontos concedidos foi de 9%, também mais baixa do que o usual. 

Já outro levantamento do DataZap aponta que quatro em cada 10 brasileiros aumentaram as buscas por imóveis em março deste ano. Dos que estão procurando, 62% buscam ambientes bem divididos e 45% estão priorizando casas, por conta do espaço.

Incorporadoras

Superando a média geral de lançamentos do mercado imobiliário, que foi de 30,8% entre dezembro de 2020 e fevereiro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior, o segmento de imóveis de médio e alto padrão registrou aumento de 51,2%, nesses mesmos três meses. Os dados fazem parte de levantamento realizado pela Fipe a pedido da Abrainc, que também indica um crescimento de 27,1% no número de lançamentos do programa Casa Verde e Amarela ao longo desses três meses. 

Com esse aumento tão significativo, para onde vai o mercado de luxo a partir de agora? Para responder essa pergunta, o sócio-consultor da Brain Inteligência Estratégica, Guilherme Werner, trouxe “uma dúzia de tendências” para o segmento de alto padrão, em sua palestra no Imobi Experts Imóveis de Luxo e Alto Padrão. O conteúdo está disponível no portal do Imobi Report. 

Os juros baixos são apontados como o principal fator de crescimento para essa alta no número de lançamentos. E, mesmo com a possibilidade de alta da Selic, o momento continua sendo bastante favorável para quem deseja adquirir um imóvel, seja para investimento ou para morar, como mostra matéria publicada no Extra nesta semana, que traz uma análise do CEO da Credihome, Bruno Gama, sobre o assunto. 

Uma ameaça para esse ótimo momento do mercado de incorporação continua sendo o aumento do preço dos materiais de construção. Especialistas ouvidos pela reportagem do Valor Econômico garantem que a alta deve impactar no valor dos imóveis muito em breve e, com isso, pode haver uma desaceleração no ritmo de lançamentos e vendas. Com isso, o jornal também prevê uma disputa entre as incorporadoras para alcançarem suas metas, principalmente em São Paulo, onde a concorrência é maior. 

Para sair à frente em relação à concorrência, cada incorporadora tem apostado em uma solução diferente. A Tenda, por exemplo, obteve aumento de 50% nas vendas do primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2020, após reforçar sua estratégia digital e lançar sua própria plataforma de vendas. Apostar no digital também foi a saída encontrada pela MRV, assim como a imobiliária Lopes e a startup EmCasa, que aparecem na mesma matéria da Exame como cases de sucesso no ambiente online durante a pandemia. Já a incorporadora Idea!Zarvos decidiu incluir o aluguel residencial de alto padrão em sua carteira, para alavancar seus negócios, em parceria com a gestora de recursos Paladin. 

Além da Tenda, outras empresas do setor também se destacaram nos balanços de primeiro trimestre. É o caso da Cyrela e da MRV, incorporadoras recomendadas pelo Credit Suisse para investidores devido aos ótimos resultados obtidos no período. A Gafisa, por sua vez, é citada em matéria do Valor Econômico como exemplo de companhia que conseguiu reverter o prejuízo no primeiro trimestre. Já matéria do Valor Investe mostra como a Even quer se tornar a incorporadora mais rentável do Brasil

Apesar dos bons resultados obtidos no primeiro trimestre, a maioria das empresas do mercado imobiliário que têm capital aberto aberto vai mal na Bolsa. Matéria da Casa Vogue faz um balanço dos IPOs do ano passado e traz uma análise completa sobre o assunto, mostrando por que grande parte das incorporadoras têm acumulado variações negativas nos últimos meses. 

No mercado de fundos imobiliários, a novidade da semana foi o anúncio de que a gestora Rio Bravo e a startup Nomah, do grupo Loft, vão começar a testar uma tese de investimento ainda pouco comum: a de fundos para ativos residenciais. Com foco em moradias pequenas e funcionais, com aluguel flexível e gestão efetuada com uso intensivo de tecnologia, os empreendimentos prometem entregar um serviço que seria uma opção entre o hotel e o Airbnb. 

Techs

A Softplan anunciou a compra do Construtor de Vendas (CV), um dos principais CRMs especializados no mercado imobiliário brasileiro. Com a aquisição, o CV passa a integrar a plataforma Sienge, software para gestão de construtoras. O valor da aquisição não foi informado, mas integra um plano de investimento na ordem de R$ 200 milhões que a Softplan pretende realizar em três anos. 

Depois da série de grandes captações, a Loft começa a anunciar para onde vai parte desse dinheiro: novos serviços com objetivo de melhorar e centralizar a experiência do usuário dentro do unicórnio. O primeiro produto anunciado é seu próprio seguro residencial. Lançado em parceria com a startup 180 Seguros, será oferecido gratuitamente aos 1.000 clientes que fecharem negócio no Rio de Janeiro. Se for aprovado pelos clientes, a empresa vai ampliar a oferta do seguro.

O unicórnio é citado em reportagem do Valor Econômico, que apresenta novas empresas que estão atuando no mercado imobiliário. Além da Loft, a reportagem traz a Kzas, cujo foco de atuação atualmente é facilitar o acesso ao crédito; a Rooftop, que compra e regulariza imóveis que precisam de algum tipo de regularização, têm parcelas em atraso ou são alvo de leilão; a Resale, que também atua com imóveis retomados, mas em um formato mais marketplace; e a Glebba, uma startup de crowfunding que conecta pessoas físicas com empreendedores de loteamentos.

Falando em crowdfunding imobiliário, a Cap Rate é outra proptech que tem como objetivo aproximar investidores e incorporadores. Em operação desde 2018, a startup já arrecadou mais de R$ 13 milhões para 37 projetos.

E se você tem uma proptech ou construtech, ou conhece quem tenha e queira acelerar o negócio, o programa de pré-incubação da Cinco Aceleradora está com inscrições abertas até o dia 30, domingo. A jornada é gratuita e mais informações podem ser encontradas aqui.

Ainda sobre startups do imobiliário, nesta quinta-feira (27), Denis Levati, colaborador e colunista do Imobi Report, vai entrevistar Marcus Anselmo, Managing Partner na Terracotta Ventures. Denis e Marcus farão uma análise do Mapa de Construtechs e Proptechs 2021 ao vivo, às 18h, no Instagram do Imobi. Participe e leve suas perguntas!

Mundo

Depois de meses de recordes, o mercado imobiliário americano começou a esfriar. A combinação de estoques baixos e aumento nos insumos da construção civil está fazendo com que o preço dos imóveis aumente e diminua o ritmo de compras. As vendas de casas existentes caíram 2,7% em abril, em relação a março, segundo a NAR. Ainda que, comparada ao mês de abril do ano passado, a diferença é bem grande: vemos um aumento de 33,9% nas vendas, uma vez que, em 2020, este foi o mês em que a Covid-19 explodiu no ocidente.

Uma pesquisa da Chalmers University of Technology, na Suécia, está desenvolvendo uma nova bateria à base de cimento. Com ela, empreendimentos poderiam armazenar a energia captada por fontes renováveis, como painéis solares, por exemplo. A nova tecnologia ainda deve ser aperfeiçoada, mas acompanha a forte tendência por sustentabilidade e a busca por fontes renováveis de energia. Em reportagem, em inglês, do Interesting Engineering, é levantada a possibilidade do ressurgimento da arquitetura brutalista, com fachadas de concreto aparente e painéis solares no teto dos empreendimentos.

Estamos de Olho

Para trazer as principais tendências do marketing digital para a realidade do mercado imobiliário, a analista de mídia da CUPOLA, Fernanda Oliveira, acompanhou o Ad World Conference, que aconteceu neste mês de maio. Em artigo publicado no Imobi Report nesta semana, ela lista os cinco principais insights retirados de sua participação no evento. Para quem não se importa com spoilers, são eles: conteúdos mais humanos; adaptabilidade e diversificação; personalização x generalização; presença e lembrança de marca; experimentação e mensuração. O conteúdo completo está no portal do Imobi Report

Em outro artigo publicado no Imobi Report, Fernanda Oliveira também mostra como a atualização do iOS 14 pode afetar campanhas de marketing digital, inclusive no setor imobiliário. Para se adequar às novas regras do Marco Civil da Internet e da LGPD, gigantes da internet, como Google e Facebook, estão modificando a forma como coletam dados de seus usuários. Acompanhando essa movimentação, o sistema iOS fez uma nova atualização recente que acaba restringindo o alcance e as possibilidades de segmentação dos anúncios online em plataformas como Google e Facebook Ads. Para entender melhor o impacto disso tudo, leia o artigo na íntegra

Para ficar por dentro de tudo o que está rolando no mercado imobiliário, além de ler a newsletter semanal do Imobi, também sugerimos ouvir o nosso podcast “Semana Imobi”, que vai ao ar todas as sextas-feiras, com comentários sobre os principais destaques do noticiário do setor na semana. Além disso, outra boa fonte de conteúdo sobre o mercado imobiliário é o podcast “Vem Pra Mesa”, comandado por Sergio Langer. No episódio desta semana, ele entrevista Ricardo Mateus, CEO da Brasil ao Cubo, empresa de construção modular off-site fundada em 2016.

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