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10 incorporadoras listam tendências que devem permanecer nos imóveis pós-pandemia

Ana Clara Tonocchi
Escrito por Ana Clara Tonocchi em 18 de novembro de 2020
10 incorporadoras listam tendências que devem permanecer nos imóveis pós-pandemia
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Mundo VUCA: uma sigla para descrever a nossa realidade que é volátil, incerta, complexa e ambígua. E o que essa expressão tem a ver com construção civil? Muito. Principalmente quando pensamos nos imóveis pós-pandemia.

Como sabemos, o ciclo da incorporação é inevitavelmente longo. Da escolha e compra do terreno, passando pela aprovação do projeto pela prefeitura até a construção e entrega das chaves, passam-se alguns anos. Por isso, escolher e incorporar tendências para lançar empreendimentos é um desafio constante das construtoras.

Desafio maior ainda quando a incerteza deste mundo VUCA aumenta: a crise sanitária do novo coronavírus não foi prevista, o que alterou de diversas maneiras o dia a dia das pessoas. E boa parte das novas preocupações e rotinas que passamos a ter envolvem a moradia.

Como ainda estamos vivendo a pandemia, estas novas dores estão muito latentes. Na construção civil, as incorporadoras devem conseguir filtrar o que permanecerá nos projetos que estão sendo aprovados pelas prefeituras em 2020, mas que só deverão sair do papel em alguns anos.

O Imobi conversou com 10 incorporadoras para saber:

Quais tendências já foram aderidas e quais deverão ficar nos imóveis pós-pandemia?

Bait Incorporadora

Para Henrique Blecher, CEO da Bait Incorporadora, que atua no Rio de Janeiro, foi preciso olhar com calma para os efeitos da pandemia. “Fizemos uma leitura que a pandemia seria um fenômeno que, obviamente, mudaria comportamentos, mas que as grandes mudanças viriam em relação a reflexões a longo prazo. Então, não compramos a ideia de correria com mudanças pontuais. O que percebemos, claramente, é que as pessoas se deram conta de que suas casas são importantes”, comenta. 

Entre as mudanças que a Bait abraçou, otimizar os espaços dentro dos apartamentos: “Acreditamos que o home office veio para ficar. Mesmo que flexível, deve acontecer em várias famílias. Então, buscamos oferecer plantas com um espaço de home office mais privativo, deixando de ser aquele home office perdido no meio de um cômodo”, conta.

O lazer também foi considerado fator importante. “Embora o Rio de Janeiro seja um grande espaço de descompressão, estamos buscando oferecer espaços de lazer, de descanso e reflexão para que, não só o apartamento, mas o empreendimento como um todo, ofereça estes ambientes. Por exemplo, vamos lançar um novo empreendimento com um grande teto jardim, para as pessoas terem um descanso”.

Em relação à preferência por plantas maiores ou menores, Henrique acredita que há clientes para todos os gostos. “Não carimbamos um tamanho ou outro como grande trend: acredito que tem cliente para tudo. Mas precisamos ter um olhar muito cuidadoso sob as necessidades e especificidades de cada perfil de cliente”.

Cury

Na Cury, a incorporadora está atenta na centralização de serviços dentro do condomínio. Leonardo Mesquita, vice-presidente comercial da Cury comenta que o imóvel virou multifuncional: é lar, escritório e ambiente de lazer.

Nessa pandemia, as características do imóvel mudaram. O espaço, a infraestrutura e as áreas comuns contribuem para o conforto durante o tempo em casa. Levando isso em consideração, a Cury fez mudanças em dois lançamentos de São Paulo, repaginados ao novo perfil de comprador de imóveis. “Dentre os diferenciais dos empreendimentos, estão: lavanderia pay per use, home-office, oficina compartilhada, coworking, sport bar, espaço zen, cine open air, área de food truck e pocket market”, conta.

Além disso, uma característica importante que a Cury está levando em conta é disponibilizar boa infraestrutura para internet.

Para o pós-pandemia, a Cury acredita que o consumidor continuará priorizando conforto e comodidade. “A Cury acredita que algumas tendências incorporadas durante esse ano seguirão firmes também no cenário pós-Covid-19, como espaço home-office e coworking, cinema ao céu aberto, minimercado, pistas de caminhadas, área de food truck e lavanderia pay per use. Todas essas novas áreas foram pensadas para que os moradores não precisem se deslocar frequentemente para fazerem suas compras e usufruir de serviços fora do condomínio”, afirma.

Cyrela

Piero Sevilla, diretor de incorporação da Cyrela, explica que acompanhar e prever tendências para três, cinco anos à frente sempre foi um desafio do mercado de incorporação e, portanto, uma das principais preocupações da Cyrela envolvem a infraestrutura dos empreendimentos. “A gente estuda, pesquisa, procura entender o comportamento do consumidor, mas nossa principal preocupação é projetar nossos empreendimentos com infraestrutura disponível de forma que, mesmo que a gente não tenha captado certa tendência ainda, possamos plugar, adaptar e que o morador possa aderir futuramente”, afirma.

Além das novas tecnologias que o consumidor final vê e usufrui, como acesso por biometria, preparação para automação de um imóvel, a incorporadora atenta-se, também, às tecnologias construtivas, como em relação a conforto térmico, lumínico e acústico. Foi inclusive nessas tecnologias que a Cyrela fez alterações relacionadas à pandemia. “Nos prédios que entregamos ou ainda vamos entregar em 2020, abrimos o diálogo com os proprietários sobre mudanças que poderíamos fazer para melhorar a experiência. Por exemplo, o sistema de ventilação da academia e a brinquedoteca foram revisados, de forma que evitasse problemas sanitários. E os empreendimentos já tinham uma infra para isso: é muito mais fácil colocarmos, onde já está preparado, um sistema que faça a troca de ar de uma forma mais eficiente, do que fixar um modelo para o futuro, que não sabemos como será”, explica Piero.

Nos projetos que serão entregues, a Cyrela ainda está avaliando e pesando quais são demandas da emoção do momento e quais serão perenes. “Por exemplo, lugares refrigerados, para receber encomendas perecíveis, estamos desenvolvendo nos projetos atuais. Características de moradia que estão sendo valorizadas, como espaços ampliados, ventilação, sacada, entre outras, o mercado imobiliário já fazia. O que veio de novo, de fato, é a proteção sanitária. Então, estamos priorizando esses aspectos, principalmente nas áreas comuns”, comenta.

Para Piero, há uma ressignificação, também, do viver a cidade. “As pessoas, para conseguir aquele metro a mais, estão aceitando ir um pouco mais longe: uma ou duas estações de metrô mais para frente. Ainda não sabemos o quanto isso vai ficar ou quanto é passageiro, mas sentimos imóveis que tínhamos no estoque que são um pouco mais afastados com maior procura”, analisa o diretor.

Gafisa

Guilherme Benevides, VP de Operações da Gafisa, explica que acompanhar e atender às tendências do mercado é uma premissa da incorporadora, e que, durante a pandemia, essa estratégia não mudou. 

“Imprimimos velocidade ao revisitarmos projetos quase prontos e planejamos novas disposições para os projetos que lançaremos, levando em conta que, atualmente, as pessoas têm ficado mais em suas casas e valorizado itens ou características específicas que, antes, não ganhavam destaque, percebendo a importância da moradia e do conforto. Estamos investindo em empreendimentos com espaços de trabalho integrados, além de ambientes de convívio mais amplos e abertos, estimulando que as pessoas se sintam confortáveis em seus imóveis”, explica.

Entre as adaptações que foram feitas recentemente, está a implantação de acesso eletrônico nas áreas comuns, além da disponibilização de áreas de delivery para a coleta de compras online, facilitando e organizando o recebimento destes materiais.

Benevides conta que a Gafisa está apostando na realidade do home office, ainda que no formato híbrido, e em áreas de lazer mais amplas. “Temos projetado espaços de convívio nas áreas comuns. Nestes locais, os condôminos podem usufruir do espaço para um café, uma reunião virtual, um trabalho específico ou assistir a um jogo de futebol. Ainda, nestes locais, é possível realizar aulas de música, massagem, utilizar um spa urbano, prezando pelo wellness. São espaços bem montados para que os moradores não percam tempo e não tenham um custo acessório, como o pagamento de um clube”, afirma.

Dentro das unidades, personalização das unidades é a chave. “Atualmente, todo o ‘recheio’ pode ser alterado. Podemos transformar um apartamento com quatro dormitórios em um só, deslocar banheiros e implantar cozinha aberta ou fechada. Os apartamentos estão conectados, disponibilizando comando de voz, por meio do uso de tecnologia. Os serviços que nós entregamos levam em conta a experiência de vida dos nossos clientes, e o imóvel que projetamos é adaptado a isso”.

Com a valorização da casa, há questões de limpeza que são reforçadas. “Hoje, temos um método construtivo que projeta apartamentos que são mais fáceis de ser limpos, facilitam a vida e diminuem os custos. Ademais, temos empreendimentos que priorizam a segurança com equipamentos eletrônicos e remotos. A tecnologia está aí para isso, para facilitar a vida e reduzir os custos”, aponta.

Grupo Patrimar

Patricia Veiga, gestora do Departamento de Novos Negócios do Grupo Patrimar, explica que muitas das tendências alavancadas com o isolamento social já estavam no radar do grupo antes de pandemia. “Nossos empreendimentos já contemplam inovações como workstation, mercado interno de conveniência, carros para aluguel dentro do condomínio e automatização de processos de delivery, com projeto U.PACK”, conta.

O projeto U.PACK Home Delivery consiste na utilização de robôs, ou drones terrestres, para entrega de encomendas para condôminos sem a necessidade de contato entre o morador e entregador. Funciona assim: o morador faz o pedido, e, quando ele chega, a portaria higieniza o produto e insere no robô, que o leva ao morador.

“O isolamento social fez com que as pessoas valorizassem mais o interior dos imóveis. A tendência é que os projetos tenham espaços mais versáteis, que podem se transformar em escritórios, por exemplo. Outra tendência valorizada, mesmo antes da pandemia, é a de condomínios com facilities, como carros que podem ser alugadas exclusivamente por condôminos, aplicativos que automatize o uso dos espaços compartilhados e até mesmo projetos que venham a facilitar o acesso à deliverys”, comenta Patrícia sobre tendências para pós-pandemia.

HAUT

Thiago Monteiro, sócio fundador na HAUT Incorporadora Design, afirma que vê três itens protagonistas na moradia na pandemia: a casa como extensão da personalidade do usuário, relação mais forte do espaço interno X espaço externo e gentileza urbana.

“Com tanto tempo dentro de casa, as pessoas perceberam a importância de uma planta que permita uma maior flexibilidade quanto ao layout, garantindo uma fácil adaptação às novas realidades”, comenta. “Também, por estarem trancadas em casa, esquadrias mais generosas, terraços cobertos e principalmente descobertos, áreas gourmets, jardineiras na fachada… nunca foram tão valorizadas pelas pessoas”.

Sobre gentileza urbana, Thiago conta que este é o mantra da HAUT. “Acreditamos em uma relação mais humana e gentil com a cidade, olhando ‘do lote para fora’. Uma arquitetura aberta, convidativa, democrática, integradora… sem muros. Edifícios que não apenas impactem positivamente o dia a dia dos seus moradores, mas a cidade, promovendo reais melhorias para o seu entorno”.

Moura Dubeux

Uma das maiores incorporadoras do Nordeste, a Moura Dubeux também buscou inovação nos seus projetos, independente da pandemia. 

“Sempre procuramos valorizar os espaços abertos e muito verde nas áreas de lazer, o que permanece com a pandemia. Entre as novidades nos empreendimentos, adicionamos espaços e-commerce para guardar as compras online, espaço delivery para entrega de mercadorias perecíveis e novas fechaduras para os apartamentos: entrada vida reconhecimento facial e QR Code, que oferece mais segurança e higiene”, conta Eduarda Maia Moura Dubeux, gerente marketing e vendas na construtora.

Como novas demandas dos clientes, Eduarda conta que pode observar maior protagonismo de ambientes integrados, como sala, varanda e cozinha. É o open space – conceito conhecido dos realities show de decoração: “Percebemos a valorização da cozinha e estamos fazendo apartamentos mais integrados, de forma que as plantas permitam uma interação maior, tanto no dia a dia como para receber amigos”, compartilha a gerente.

Seed Incorporadora

A Seed é uma incorporadora especializada em imóveis horizontais em condomínios em São Paulo, capital. Hellen Pereira, superintendente de incorporação da construtora, comenta que o bem-estar do cliente sempre foi prioridade nos projetos, mas que a pandemia intensificou essa preocupação. “Com a pandemia, estamos levando em consideração espaços amplos com ventilação, iluminação, e um cantinho especial nos dias de hoje o home-office”, afirma.

Importante, também, é que o design da casa corresponda às demandas da família, com integração entre os ambientes e plantas amplas. “O pós-pandemia pede conforto, aconchego, segurança, praticidade e tecnologia”, comenta Hellen.

A arquiteta Cris Otsuka comenta que as mudanças nas rotinas das famílias nos últimos meses trouxeram novas demandas: “Passamos a priorizar um espaço para home office nas residências, um depósito privativo para entregas delivery e academia e espaço kids para os condôminos. Nas áreas privativas, é importante que os proprietários consigam realizar todas as suas funções e tarefas do dia a dia dentro de sua própria casa”.

Trisul

Lucas Araújo, superintendente de marketing da Trisul, conta que muitas das características que estão sendo valorizadas por conta da crise sanitária já eram tendências a que a incorporadora estava atenta.

“A Trisul já vinha trabalhando alguns ajustes de projeto em função da mudança de comportamento dos consumidores, mesmo antes da pandemia, como por exemplo prever área para home office dentro dos apartamentos, coworking e salões e lounges de festas que também servem de ponto de trabalho em dias e horários em que estão sem uso, plantas com integração total de living e terraço, área para receber delivery com lockers e geladeiras, além de janelas maiores com maior ventilação e iluminação e empreendimentos com operação sustentável com redução e reaproveitamento de luz e água nas áreas comuns dos prédios. A pandemia catalisou a procura desses itens, que já estavam sendo incluídos nas propostas dos empreendimentos”, afirma Araújo.

Como tendência para o pós-pandemia, o superintendente também pontua desejos que já existem entre os consumidores, como valorização ainda maior da varanda, iluminação e ventilação naturais e áreas comuns ajardinadas e com muito verde. Além destas, aponta que a Trisul vislumbra características em imóveis relacionadas à preocupação com higiene. “Entre as novidades, vislumbramos área para limpeza e desinfecção próxima da entrada dos aptos (valorização do lavabo), guarda-volumes e sapatos próximos da entrada dos apartamentos e tecnologia de portaria e elevadores sem toque, como voz e reconhecimento facial”.

Vitacon

“Não acreditamos que as pessoas querem moradias maiores, o que elas buscam são moradias que atendam suas necessidades e que sejam práticas”, afirma Alexandre Frankel, presidente do conselho da Vitacon e CEO da Housi.

Frankel defende que, apesar da pandemia, a realidade do home office é para poucos e que a localização continua sendo fator essencial em um imóvel. “O fato é que as pessoas ainda precisam trabalhar e estudar. Grande parte da população ainda se expõem ao risco usando transportes públicos. Houve crescimento da circulação no transporte público, CPTM e metrô. Segundo o relatório da ANPTrilhos, em agosto, o número de passageiros subiu para 90 milhões em São Paulo, quase 50% a mais do que no começo da pandemia”, explica. “Acreditamos que o meio de mitigar os riscos à saúde dessa população é oferecendo uma moradia perto do trabalho, onde ela não precise se expor aos riscos de transportes públicos lotados ou ao trânsito. Nossos empreendimentos contam com infraestrutura para o trabalho remoto, mas também estão localizado em meio a um grande centro empresarial, próximo de hospitais e estação de metrô”.

Para garantir imóveis que caibam no bolso do consumidor, a Vitacon aposta em apartamentos menores. “Vale ressaltar que não temos orgulho da metragem, mas sim temos orgulho da acessibilidade à moradia, ao novo estilo de vida proporcionado. Pensamos no prédio inteiro como solução de moradia, como extensões do apartamento”, afirma.Trazer parceiros para oferecer facilities e promover a infraestrutura para tal dentro dos prédios também é uma premissa da incorporadora. “Acreditamos muito na questão de preparar o prédio para plugar serviços e parceiros. Temos depósitos refrigerados para receber compras; lockers climatizados do Ifood para receber encomendas; salas preparadas para os serviços e procedimentos estéticos da Singu; espaço de ferramentas compartilhadas em parceria com a Leroy Merlin, cozinha compartilhada para receber inclusive chefs, como a Apptité; entregamos lavanderia coletiva com máquinas preparadas para parceria com a OMO. Também entregamos infra para plugar car sharing e bike elétrica em parceria com a Lev. Além disso, a Housi oferece a possibilidade de assinatura de Netflix, Rappi Prime, Spotify, Youtube Premium, HBO e Amazon Prime”, conta Frankel.

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