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De filtro a sustentação da jornada: o reposicionamento do SDR nas imobiliárias
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De filtro a sustentação da jornada: o reposicionamento do SDR nas imobiliárias

14 abr 2026
Cristiano Fonseca
Cristiano Fonseca
5 min
De filtro a sustentação da jornada: o reposicionamento do SDR nas imobiliárias
O consultor e estrategista imobiliário, Cristiano Fonseca.

Durante anos, o mercado imobiliário tratou os SDRs (Sales Development Representative,) como um modelo operacional que não funciona para imobiliárias. Essa leitura ganhou escala, se replicou em diferentes operações e passou a direcionar decisões relevantes dentro do setor. No entanto, ela não se sustenta quando confrontada com a realidade operacional. Conheço operações bem estruturadas que sustentam resultados consistentes com SDR ao longo do tempo. Isso evidencia um ponto central: o modelo funciona, e os resultados observados estão diretamente relacionados à forma como ele é desenhado e aplicado dentro das imobiliárias.

Quando observo a primeira onda de adoção desse modelo, cerca de oito anos atrás, o erro fica evidente no desenho do processo, especialmente na lógica estrutural que orientou a forma como o SDR foi incorporado à operação. O SDR entrou na operação como filtro, responsável por decidir, logo na entrada do funil, quais leads deveriam avançar e quais deveriam ser descartados. Essa lógica parecia eficiente no papel, mas partia de uma premissa que não se sustenta na dinâmica do mercado imobiliário, onde a decisão de compra não é imediata, não é linear e raramente está clara no primeiro contato.

Na prática, a qualificação inicial era conduzida a partir de interações superficiais, geralmente por telefone ou mensagens, com baixa profundidade e pouca capacidade de leitura de contexto. O processo passou a se apoiar em sinais pouco consistentes para sustentar decisões relevantes. Leads com potencial real eram descartados cedo demais, enquanto outros avançavam sem consistência suficiente para evoluir na jornada.

Esse desenho estabeleceu um desalinhamento claro entre geração e conversão, um dos principais pontos de ruptura observados nas operações que adotaram esse modelo naquele período. Como consequência, o corretor passou a questionar a qualidade das oportunidades recebidas, o que comprometeu a confiança no processo. O que deveria gerar eficiência passou a produzir retrabalho. O ganho de produtividade não se materializou e o modelo perdeu sustentação dentro das operações.

O cenário atual que eu acompanho nas imobiliárias não representa uma retomada do modelo, mas uma correção de entendimento que se consolida nas operações mais maduras do mercado. Nesse contexto, o SDR retorna ao centro da operação com um papel diferente, inserido em uma lógica mais estruturada de condução do funil.

O SDR deixa de ser utilizado como filtro e passa a assumir o papel de conexão, garantindo que o cliente real possa encontrar com o corretor. Essa mudança não apenas reorganiza a lógica de qualificação, mas corrige a distorção central que marcou a primeira fase de adoção do modelo. O papel do SDR não é qualificar o lead, é garantir que o corretor tenha oportunidade de encontrar com o cliente que tem desejo de compra, para que neste momento possa entender sua demanda, perfil e potencial. Em muitos casos, a compreensão real do cliente se constrói na interação qualificada, com escuta, repertório e capacidade de adaptação, que pode ser feita de forma muito mais eficiente, se feita presencialmente.

O erro nunca esteve no SDR, mas na função que se decidiu atribuir a ele dentro da operação.

Nesse cenário, o SDR não antecipa a decisão. Ele organiza o fluxo para que ela aconteça melhor, reduzindo fricção, ajustando o timing e aumentando a qualidade do encontro entre cliente e corretor.

O principal desafio não está na entrada do funil, mas na condução da jornada. O maior desperdício das imobiliárias não está na geração de leads, mas na incapacidade de desenvolver essas oportunidades ao longo do tempo. Há um volume relevante de clientes que não compram no primeiro momento e acabam sendo abandonados no decorrer da jornada. Esse cenário não decorre da ausência de demanda, mas de limitações no desenho e na condução do processo comercial.

É nesse ponto que o SDR assume papel estratégico, sustentando a jornada por meio do acompanhamento, da retomada e do reengajamento do cliente até o momento da decisão.

Noto que as operações que estruturam esse modelo percebem rapidamente que o impacto vai além da conversão. O ganho mais relevante não está apenas no volume, mas na consistência do processo. O corretor passa a focar no que realmente gera valor: a interação com o cliente. O processo deixa de depender exclusivamente da disciplina individual e passa a ser sustentado por uma lógica operacional mais estruturada.

Esse é o ponto de inflexão. A operação deixa de oscilar conforme esforço individual e passa a operar com maior estabilidade. Como consequência direta, surge algo ainda pouco comum no mercado imobiliário: a previsibilidade.

No mercado imobiliário, eficiência não está na triagem de leads, mas na capacidade de conduzir decisões ao longo do tempo.

No fim, discutir se SDR funciona ou não é superficial. A pergunta correta é outra: qual papel esse time cumpre dentro da operação? Quando tratado como filtro, o modelo tende a repetir os erros do passado. Quando estruturado como sustentação da jornada, passa a impactar diretamente eficiência, conversão e resultado.

O mercado imobiliário não precisa redescobrir o SDR. Precisa evoluir a forma como o incorpora à operação. As operações que fazem esse ajuste passam a operar em um nível de maturidade superior, com mais controle de processo, maior consistência e melhor aproveitamento das oportunidades.

Operações não escalam por gerar mais oportunidades, mas por estruturar melhor a forma como elas evoluem até a decisão.

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