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Conheça mais sobre o programa de capacitação de mulheres para atuar como corretoras de imóveis

Ana Clara Tonocchi
Escrito por Ana Clara Tonocchi em 3 de fevereiro de 2021
17 min de leitura
Conheça mais sobre o programa de capacitação de mulheres para atuar como corretoras de imóveis
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A taxa de mulheres no mercado de trabalho brasileiro chegou ao seu menor nível em 30 anos. Nos Estados Unidos, elas perderam 5,4 milhões de empregos. Para promover empregabilidade, Elisa Tawil, colunista do Imobi Report e cofundadora do Movimento Mulheres do Imobiliário, lançou o Capacita, um programa de capacitação de mulheres para o mercado de trabalho.

Em entrevista ao vivo pelo Instagram, o Imobi Report conversou com Elisa sobre sua carreira, seu novo cargo de Growth e Onboarding Specialist na eXp Brasil e seu novo programa de empregabilidade feminino, que tem como objetivo promover maior participação de mulheres no imobiliário. Confira!

IMOBI REPORT: Elisa, me conta um pouco da sua carreira e como surgiu o Mulheres do Imobiliário?

ELISA TAWIL: Eu sou formada em arquitetura e tenho pós em administração. A minha carreira começa na construção civil, fui estagiária de obra e fui entrando nesse universo de obra, de pisar no terreno. Eu saí do Mackenzie, arquiteta, formada, e não fazia muita ideia do que era o mercado imobiliário, mesmo trabalhando nesse universo. Aí começou minha carreira no setor imobiliário, na área de desenvolvimento. Sempre trabalhei nessa área de desenvolvimento, como arquiteta, como gerente de arquitetura e de incorporação. Depois esse nome foi mudando, gerente de projetos, gerente de negócios… Até a última empresa onde eu estava, a Tishman Speyer. Estava tudo certo, eu estava feliz e contente na minha vida, a Tishman Speyer sempre foi uma empresa que eu tinha como uma grande referência de sonho, de carreira, até que tive meus dois filhos, voltei da minha segunda licença maternidade e comecei a pensar quem era eu na fila do pão. Sabe aquela história? O que eu tô fazendo aqui? O que eu quero para a minha vida? O que eu to fazendo pro mercado, para a sociedade? Comecei a me questionar uma série de porquês e resolvi empreender.

Saí, abri minha empresa com dois sócios que foi a melhor e a pior coisa que eu fiz. A sociedade foi muito ruim, mas me levou para alguns caminhos até chegar aqui. Essas dores de uma sociedade, de enfrentar um mercado muito fechado para uma mulher empreendedora, mãe, aquilo começou a me trazer algumas reflexões que se é difícil pra mim, pode ser difícil para mais alguém.

E teve um episódio que me foi muito marcante. Eu estava na sala de espera da Tegra, uma das maiores do mundo, para fazer uma reunião de negócios. E aí quando eu vi, comecei a contar e tinham 10, 15, 20 homens e só eu de mulher. A recepcionista tinha saído, então eu realmente era a única. Aí pensei “não é possível que eu seja a única mulher que venha fazer uma reunião de negócios nessa empresa”. Aquilo pra mim foi muito significativo, eu olhei aquela cena e pensei “tem algo aqui muito maior”. Naquele dia mesmo eu sentei, já fiz um powerpoint “Mulheres no mercado imobiliário” e pensei, nossa, não tenho nem pra quem mostrar. Ai guardei.

Nessa época, recebi de alguém um evento que ia ser nos EUA só com mulheres. Repliquei aquilo na minha rede e comentei “imagina um evento assim no Brasil”. Aí o Ricardo Monteiro, da Setin, que eu nunca tinha ouvido falar, não conhecia ele, comentou “nossa, seria um máximo”. Chegamos a fazer um almoço, algumas reuniões para ver se a gente iria viabilizar algo, tanto que ele comentou, nesse projeto que a gente tá lançando agora, quanto ele tá feliz de ver os progressos daquela nossa ideia embrionária.

E foi assim que nasceu essa ideia de “preciso fazer algo”. Eu acho que essa minha dor é uma dor de mais mulheres. Depois a Renata Botelho, que é do Rio de Janeiro, veio conversar comigo. A Lia Meger, de Curitiba, também, e falei “gente, vamos se unir nós 3, vamos fazer esse negócio acontecer e hoje estamos em mais de 700 mulheres no nosso grupo do Telegram e qualquer pessoa que se identifique como mulher e que atua no mercado imobiliário, está convidada a fazer parte.

IMOBI: Importante a gente conversar como nós duas mulheres que trabalham no mercado imobiliário, com duas vivências diferentes, percebemos como falta representatividade feminina nesse mercado.

ELISA: Você sabe que eu to até me perguntando se falta representatividade ou se nós não estamos sendo vistas. Acredito que hoje, depois de quase 2 anos de Mulheres do Imobiliário, não é que falta bem representatividade, acho que falta abrirmos os caminhos. Quando entrevistei a Mariana Godoy para o meu podcast, ela disse “precisamos chegar com o pé na porta”. Então, talvez a gente tenha que botar o pé na porta, talvez seja por aí. Precisamos buscar nossos espaços, buscar nosso lugar de fala, falar de representatividade, se expor. Questionar as empresas: por que o porta-voz é sempre aquela mesma pessoa, aquele cara, enquanto você vai ver que a responsável por fazer tudo aquilo acontecer é uma mulher. Então, precisamos começar também a procurar outras porta-vozes dessas empresas.

A gente tem o Amazonita, que é um outro projeto do Mulheres do Imobiliário, o nosso hub de diretoras, mulheres, CEOs, e eu fiquei muito feliz que em menos de uma semana já estamos vendo mulheres falando para e sobre o mercado. E isso não existia. Isso eu tenho total consciência que é fruto do meu trabalho, do Mulheres do Imobiliário. O que a gente tá falando é: vocês tem que dar voz a essas mulheres.

IMOBI: Dar luz a essas mulheres.

ELISA: Exato, dar luz a essas mulheres. E é isso que também faço e provoco. O provocando é muito amigável. Eu falo “olha, que tal, o que você acha de colocar a fulana que faz tanto pela sua empresa para dar uma entrevista?”.

IMOBI: É importante fazer esse comentário que às vezes a empresa nem chegou a pensar nisso. Precisamos falar sobre o assunto para as empresas se conscientizarem também.

ELISA: Exato. Olha só, ano passado eu entrevistei o Basílio Jafet e a gente chegou a falar de um assunto tão delicado, mas importantíssimo, que é a questão da equidade salarial. Às vezes é difícil para as pessoas entenderem que isso existe. Conversamos sobre isso e, para mim, isso é muito óbvio, tá muito no meu dia a dia. Leio sobre isso, falo sobre isso. Então, quando colocamos isso na pauta das empresas, elas vão precisar falar sobre equidade salarial. E tem gente que acha que isso não existe, que não precisa ser falado. Mas os indicadores de performance atuais exigem que você mostre em resultados que essa gerente ganha mesmo que esse gerente que tem a mesma função, mesma equipe, mesma atribuição.

IMOBI: E também tem um preconceito que vejo que já tá mudando, que o lugar da mulher dentro do mercado imobiliário é em alguns lugares específicos: talvez como corretora de multifamiliar, da arquiteta, mas não necessariamente da CEO ou engenheira. O que é um grande mito.

ELISA: Total, no próprio Mulheres do Imobiliário nós temos colegas engenheiras, advogadas, claro que tem as arquitetas, RHs, fornecedoras de serviço, fundadoras de startups. A gente sabe que existe um preconceito que a mulher, dentro do setor imobiliário, está dentro deste papel de assistência. É como a sociedade ainda olha para as nossas funções. É evidente que a gente não pode se limitar a essas atividades.

IMOBI: Além disso, está quente o tema da mulher no mercado de trabalho em geral. Acho que foi o que te motivou a lançar o capacita, certo? 

ELISA: Exatamente. Sabe que quando eu vi esse dado que atualmente é o pior número de mulheres no mercado de trabalho, me remeteu a década de 90, ao impeachment do Collor e a minha mãe tendo que trabalhar. Lembro que a gente não sabia como ia pagar as contas do final do mês. Comecei a ter uma sensação de “putz, como idealizadora do maior movimento feminino do mercado imobiliário, o que eu posso fazer?” Comecei a me questionar.

Fiz um exercício que recomendo pra todo mundo que foi refletir sobre o papel da figura da corretora imobiliária. Eu sempre fui muito crítica “tem que acabar com o corretor, com tudo isso, isso aí é só uma dificuldade a mais para movimentar o setor”. Aí parei para refletir e entendi que não é por aí, não é nada disso,o que temos que fazer é olhar para a corretagem imobiliária como um grande portal de empregabilidade para o setor. É uma profissão que hoje, com toda a transformação digital que a própria pandemia trouxe, existe uma flexibilidade muito maior de horários, ferramentas, facilidade, de tudo. Hoje você consegue fazer uma transação imobiliária com pouquíssimos contatos presenciais com seu cliente. Antigamente, não. 

Eu sempre fui aquela que treinava os corretores: eu ia em stand de venda, eu treinava os corretores fechada no Cinemark para fazer lançamento, ensinar sobre o produto, eu vejo que hoje a quantidade de ferramentas e opções que o mercado oferece é uma porta de empregabilidade. E quem tem diferencial para a venda, tem a chave do setor na mão. Não adianta você ter o melhor terreno, o financiamento, o investidor, e você não vender o seu produto. No final do dia a grande chave que destrava o nosso ciclo imobiliário é uma venda bem feita. Com esse momento de reflexão, pensei, “aqui tá uma oportunidade”. Se a gente investe em capacitação, em formação de profissionais realmente que façam a diferença, podemos ter um grande trunfo.

Em uma pesquisa do Mulheres do Imobiliário do ano passado, percebemos que a mulher tem uma grande influência na decisão de compra do imóvel. Juntei todos esses dados e pensei, beleza, vamos criar um programa de capacitação focado em mulheres que perderam seus empregos por conta da pandemia.

E saí falando pra todo mundo. Fiz exatamente o contrário que todo mundo me falava: “você tem uma ideia ótima, não conta pra ninguem”. Fiz exatamente o contrário e contei pra todo mundo. Falei para tanta gente que, no meio da gravação do podcast Break Imobiliário, com a Rodobens GVI, eu falei no meio do programa: “quero fazer esse projeto”. Foi muito incrível, pois assim que acabou a gravação do podcast eles falaram “a gente vai lançar esse projeto com você”.

Aí fui atrás das escolas parceiras, dos parceiros que vão oferecer os estágios, das mulheres que vão oferecer mentorias. Vamos ter um time de mentoras que vão oferecer desde consultoria financeira até pacote office, beabá do mercado imobiliário. Acredito muito que esse é um grande modelo para o mercado olhar e falar “eu quero copiar”. Eu quero de verdade que as pessoas copiem o Mulheres do Imobiliário Capacita para que tenha essa oportunidade no Brasil inteiro. Nosso objetivo é que essa mulher que faça o Capacita, daqui 6 meses, seja objeto de desejo.

IMOBI: E é um grande win-win. A futura corretora será formada enquanto a empresa já vai poder contar com uma colaboradora muito qualificada.

ELISA: Com certeza. Além disso, 50% das vagas das bolsas são para mulheres pretas e pardas. Eu tenho uma preocupação muito grande de incluir mulheres negras no nosso setor. Temos que deixar nosso mercado mais diverso, mais inclusivo, com maior representatividade. Os meninos podem apoiar, divulgar o projeto, convidar as esposas, incentivar as mulheres que você conhece e que querem entrar para o nosso setor.

IMOBI: Queria que você falasse sobre liderança Shakti, que usa elementos da liderança feminina para liderar um time melhor.

ELISA: Quando eu contei da minha trajetória, que eu abri empresa, e tive sócio, esqueci de contar um detalhe: quando fechei minha empresa, eu não queria mais trabalhar no mercado imobiliário. Pensava que queria qualquer coisa na minha vida, menos isso, pois eu estava realmente magoada, machucada. E resolvi estudar liderança.

Comecei uma jornada de estudo de liderança feminina, fui para San Diego, na Califórnia, fazer a certificação de liderança Shakti. A liderança Shakti propõe o equilíbrio do elemento feminino e masculino nos negócios. Eu achei que fazia todo sentido para aquele momento que eu estava vivendo. Percebi, também, que a falta que as mulheres estavam tendo, de terem mais representatividade de frente, lugar de fala, é que muitas mulheres que eu conheci na minha jornada tiveram que se masculinizar muito para crescer na carreira. E masculinizar aqui eu não falo de usar calça e falar grosso, nada a ver com isso.

O que a liderança shakti explica é que temos polos de força: o pólo feminino e o pólo masculino. O polo feminino traz características como empatia, criatividade, abertura e harmonia. O polo masculino fala mais sobre foco, assertividade, direção, e tal. Muitas mulheres tiveram que ficar tão assertivas a ponto de suprimirem seu lado feminino. Então, tínhamos um mercado muito pouco empático, pouquíssimo criativo. Mais recentemente tivemos o boom de proptechs e startups que deram uma forçada no mercado, mas passamos muitos anos estagnados. Agora, estamos vendo uma força externa que exige isso. A própria pandemia exige isso: exige criatividade, harmonia, flexibilidade. Até esse olhar para dentro do lar é um olhar feminino. E essa junção de fatores vai acabar trazendo mais mulheres para perto do mercado.

IMOBI: Esse ano de Amazonita, Capacita, assumindo o cargo de head de Growth na eXp Brasil… Você tem uma palavra para seu 2021?

ELISA: Eu estou colocando a palavra da empregabilidade. Acredito muito que a empregabilidade é a chave para a gente se reconstruir. Ninguém consegue pensar, colaborar, se não tiver com os boletos pagos. Quero que as pessoas fiquem tranquilas, durmam tranquilas, para poder ter todo seu amor de colocar nas causas que querem aplicar. 

O Brasil tem muitas dificuldades e vai enfrentar ainda mais. A revisão do programa do programa Casa Verde e Amarela, que tira a faixa 1, tem muitas pessoas entrando na linha da miséria…. Poder contribuir para que tenhamos uma economia mais fortalecida é a forma que vejo de, através do nosso setor, promover uma reconstrução da nossa sociedade e do nosso país.

IMOBI: E sabemos que é um setor muito importante para a recuperação econômica.

ELISA: Total, e a gente sabe que o papel da reconstrução do país é de todos nós. Não adianta ficar apontando o dedo. Tem muita coisa errada no governo, mas a gente tem que fazer o nosso papel. Sou muito focada nesse entendimento de liderança, que liderança é ser quem você é na prática. Ou seja, não adianta eu postar nas redes sociais uma série de coisas, mas não ter uma atitude que eu consiga imprimir aquilo que eu quero como mudança. E é isso que estou me dispondo a fazer. A nossa proposta é oferecer caminhos possíveis para que as mulheres retornem ao mercado de trabalho.

IMOBI: É bastante assustador a gente ter passado por um período tão bonito de emancipação financeira feminina e chegar em um momento de crise como esse.

ELISA: É sim. E a gente sabe, também, que a independência financeira feminina é a ponta do iceberg. Ela libera a mulher de uma série de questões históricas patriarcais. Significa que a mulher que tem uma condição de independência financeira pode se libertar de um relacionamento abusivo, uma situação de assédio, um possível feminicídio. Tem aí por trás de uma atividade como essa, uma causa muito maior. Temos que olhar para essas questões também. Pouco se fala sobre o assédio no nosso setor e precisamos olhar para isso, a categoria das corretoras de imóveis sofre muito assédio, precisamos prestar atenção, criar um alerta, instruir, alertar, conscientizar. Essa também será uma missão do Capacita.

As inscrições para o programa Mulheres do Imobiliário Capacita estão abertas no site mulherescapacita.com.br. No mesmo endereço está disponível o regulamento com todas as informações sobre o processo seletivo, critérios de participação, regiões de abrangência e informações sobre as etapas do programa. 

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