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Opinião

Como o viés inconsciente do algoritmo pode impactar os seus negócios?

Elisa Tawil
Escrito por Elisa Tawil em 29 de julho de 2021
5 min de leitura
Como o viés inconsciente do algoritmo pode impactar os seus negócios?
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A Transformação Digital do setor imobiliário tem sido uma realidade que as empresas precisaram encarar nos últimos meses. Aprender a lidar com o algoritmo e os dados vem sendo uma das principais habilidades exigidas pelo mercado.

Incorporadores, construtores e imobiliárias já se baseiam na interpretação desses dados para a tomada de decisões importantes, seja na melhoria de seus processos, na métrica para a obtenção dos resultados ou no alinhamento de narrativas que conversem diretamente com os públicos-alvo.

algoritmo

O que as mentes decisoras do setor precisam se conscientizar é que os dados estão carregados de vieses inconscientes e isto pode impactar diretamente a leitura, a análise e, evidentemente, nos resultados.

É sabido que a apreciação por parte de profissionais pode ser perigosamente tendenciosa e, ao combinar estes vieses com uma base de informações sem a correta interpretação, o resultado pode ser fatal para os negócios.

Realizei um experimento simples nas minhas redes sociais. Escolhi propositalmente uma postagem que fiz no meu instagram (@elisatawil) no início do mês, em que questionava quais as mulheres do imobiliário que a minha audiência, majoritariamente feminina, seguia. 

O post recebeu centenas de likes e comentários, em sua esmagadora maioria de mulheres, indicando outras do setor.

Com minha audiência nesta rede sendo 78% feminina, impulsionei o conteúdo atraindo um novo público para a postagem, seguindo a recomendação automática da plataforma. O Instagram direcionou o post pago para “pessoas como seus seguidores”.

Sabe qual foi o resultado? Uma audiência selecionada pelo algoritmo, sendo 71% homens e 28,9% mulheres. Ao final de três dias de impulsionamento, minha audiência masculina aumentou em dois pontos percentuais. 

O que isto significa?

Recordo aqui: um post comentado essencialmente por mulheres, indicando outras, numa rede majoritariamente feminina e um investimento realizado para que o algoritmo automático pudesse indicar uma audiência similar aos seguidores atuais e, como resultado, um público completamente oposto ao que, supostamente, a plataforma deveria entregar. 

Imagine se o mesmo acontecesse com uma robusta verba de marketing de sua empresa, acreditando que o público ideal para o seu lançamento seria direcionado ao estande de vendas? Ou ainda que uma oferta de crédito fosse direcionada à caixa de correios de quem a análise automática dos dados acreditasse ser o “seu consumidor ideal”. 

Este exemplo aconteceu, de fato, em novembro de 2019, quando a Apple passou a oferecer a seus clientes o Apple Card: um cartão de crédito desenhado para consumidores atingirem uma vida financeira mais saudável.

David, casado com Jamie Heinemeier Hansson, compartilhou em sua conta do Twitter que apesar de sua esposa possuir um melhor score de crédito, de possuírem partes iguais em suas propriedades e de declararem seus impostos de forma conjunta, ele possuía 20 vezes mais crédito para empréstimo que sua esposa.

“Nem mesmo Steve Wozniak, cofundador da Apple, escapou. Wozniak e sua esposa compartilham tudo, desde sua conta bancária até seus ativos, mas o crédito em seu Apple Card era 10 vezes superior ao da sua esposa.” Este caso foi destacado pelo Christian Geronasso, innovation advisor da SAP Brasil para um artigo sobre o tema em seu LinkedIn.

Na live no Instagram pela SAP Brasil sobre chatbot e inteligência artifical contra o assédio, Geronasso, Luciana Cohen, diretora de Responsabilidade Corporativa, e eu aprofundamos ainda mais o debate sobre esta tecnologia pode contribuir para combater indícios de misoginia e até mesmo ajudar em potenciais casos de feminicídio.

Este é mais um tema que requer complexidade na análise e seriedade em sua leitura e que deve ser reconhecido como uma nova demanda a ser endereçada também pelo setor imobiliário.

Para combater vieses inconscientes, o primeiro passo é reconhecer que eles estão presentes em todos nós. O segundo passo é agir. E mensurar.

Só gerenciamos aquilo que se pode medir.

Elisa Tawil

Idealizadora e co-fundadora do movimento Mulheres do Imobiliário, LinkedIn Top Voices, colunista no blog Revista HSM (Empresas Shakti), idealizadora e host do podcast Vieses Femininos.
Consultora estratégica para o Real Estate e mentora de negócios.

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